Cobrindo o Coronavirus: Um curso on-line para jornalistas - First Draft
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Cobrindo o Coronavirus: Um curso on-line para jornalistas

*As lições deste curso, que foi originalmente lançado no início da pandemia em março de 2020, ainda são relevantes.

Juntamente com a rápida disseminação do coronavírus, o “infodêmico” também está em marcha. Informações enganosas ou incorretas sobre a doença, como ela se espalha e como podemos nos proteger contra ela estão se espalhando mais rapidamente que o próprio vírus.

Sejam pessoas empurrando  falsas curas, teorias da conspiração utilizadas para minar governos da oposição, sintomas de fraudes ou memes engraçados, a mesinformação reduz a confiança e aumenta o pânico em nossa sociedade. Este ambiente digital complexo apresenta desafios para os criadores de conteúdo, tecnólogos, legisladores de políticas, pesquisadores, professores e jornalistas. Mas nós podemos trabalhar juntos para enfrentá-los.

Como usar este curso

Sabemos que, se você é um jornalista, neste exato momento, você está com pressa. Você, provavelmente, está lutando para encontrar tempo para o almoço. Nós elaboramos o curso para ser feito rápido.

Tornamos os vídeos o mais curtos possível. Uns dois vídeos têm cerca de 10 minutos, mas a maioria tem entre 2 e 3 minutos. Também repetimos as principais informações no texto abaixo, para que você possa fazer uma rápida leitura, se não tiver tempo para assistir.

O curso foi elaborado em torno de quatro tópicos e cada módulo é rotulado com um desses quatro rótulos.

1) VISÃO GERAL: estes módulos focam nas definições e estruturas. Há muitas informações empacotadas nesta seção, mas há menos dicas e truques. Isto é para ajudar você a entender o distúrbio da informação e aplicá-lo ao coronavírus.

2) MONITORAMENTO: esta seção foi elaborada para ajudar você a se entusiasmar, esteja você procurando técnicas para manter em dia todas as informações de qualidade sobre o vírus, esteja procurando rastrear conspirações e trotes, ou se estiver procurando pessoas que estejam falando sobre suas experiências pessoais com o vírus on-line. Você pode escolher os módulos por plataforma. Talvez você queira alguma ajuda para pesquisar no TikTok ou no Instagram, ou talvez precise de uma atualização quanto à criação de lista do Twitter. Nós separamos tudo para tornar mais fácil a navegação.

3) VERIFICAÇÃO: Esta seção foi elaborada para ajudar você a aprimorar suas habilidades na verificação de imagens e vídeos ou na investigação da pegada digital de alguém. Confira o nosso estudo de caso que mostra como verificamos um vídeo encontrado nas mídias sociais. 

4) REPORTAGEM: Esta seção foi elaborada para ajudar você a escrever títulos, escolher imagens e enquadrar suas reportagens de maneira a retardar a disseminação de mesinformação. Como você pode preencher os “vazios de dados” e ajudar a explicar as questões colocadas pelo seu público? Ele termina com um lembrete para que você cuide de si e de suas fontes, ao fazer este relatório. 

Há também um glossário e uma lista de leitura, que você pode acessar a qualquer momento do curso.

Nós elaboramos o curso de forma que você possa escolher a sua própria jornada de aprendizado. Esperamos que ele seja um guia valioso para a produção de uma cobertura confiável durante a crise do coronavírus 

Continue seguindo o  firstdraftnews.org para ter acesso às últimas notícias e informações. Em particular, a nossa seção  Recursos para Repórteres, que é atualizada regularmente com novas ferramentas, guias, conselhos, perguntas frequentes, seminários on-line e outros materiais, para ajudar você a fazer julgamentos informados e produzir uma cobertura crível.

Visão Geral

Por que a informação enganosa importa

Como espécie, somos programados para fofocar. Os psicólogos demonstraram que as fofocas para os seres humanos são semelhantes aos comportamentos que os gorilas exibem em grupos, mas, enquanto eles pegam pulgas um do outro, nós nos conectamos compartilhando informações. Boatos, teorias da conspiração e informações fabricadas não são novidade. Mas, antes da era dos feeds digitais personalizados, os boatos não conseguiam viajar para muito longe ou muito rápido.  Hoje, informações enganosas ou trotes deliberados podem cruzar fronteiras internacionais em segundos. Em momentos críticos como este, isso pode se tornar um problema muito sério.

O que faz as pessoas compartilhar?

O medo e o amor são poderosos motivadores. Quando confrontadas com uma pandemia global, as pessoas compartilham informações porque elas têm medo e desejam manter os entes queridos em segurança, ser úteis e alertar os outros. Os neurocientistas mostraram que é mais provável que lembremos de informações que atraem nossas emoções. 

F*** News – uma palavra de quatro letras

“F*** News” se tornou um termo amplamente utilizado e algo meio que genérico. O problema é que ele não descreve todo o espectro de informações que encontramos on-line. Informação não é binária. Não é uma escolha entre falso ou não falso. O termo também pode ser usado como arma pelos políticos, para dispensar as agências de notícias com as quais eles não concordam.

Hugo Mercier e Dan Sperber explicam, em seu livro The Enigma of Reason [O enigma da razão] (2018), que decidimos o que é “verdadeiro” com base na atividade social e para apoiar a identidade e as crenças existentes, e não por dedução individual. Chamar alguma coisa de “f*** news” faz com que as pessoas escolham com base na identidade e não no fato: se você acredita que faz parte do meu time; se não, você é o inimigo. Num momento em que as informações que compartilhamos podem significar vida ou morte, o papel de jornalistas e comunicadores é mais importante do que nunca. 

A armamentização do contexto

Cada vez mais estamos vendo a armamentização do contexto. É aqui que o conteúdo genuíno é distorcido e reformulado. Qualquer coisa baseada em um núcleo de verdade é muito mais bem-sucedida em termos de persuadir e envolver as pessoas.

Isto é parcialmente uma resposta ao fato de as plataformas sociais e de pesquisa se tornarem mais resistentes nas tentativas de manipular seus usuários. À medida que eles se esforçam para encerrar contas questionáveis e se tornam mais agressivos em relação a conteúdo enganoso (por exemplo, o Projeto de Verificação de Fatos de Terceiros do Facebook)), os agentes de informações enganosas descobriram que o uso de conteúdo genuíno, mas reformulado de formas novas e enganosas, é mais difícil para os sistemas de moderação baseados em Inteligência Artificial identificar.  Em alguns casos, esse material é considerado inelegível para fact-checks. 

Então, para recapitular: agora, mais do que nunca, precisamos estar cientes de como e por que a informação enganosa se espalha, para que possamos trabalhar juntos para garantir que o compartilhamento de informações continue sendo uma força para o bem. 

Uma plataforma para entender a desordem informacional

Para entender a desordem informacional, precisamos entender os diferentes tipos de conteúdo que estão sendo criados e compartilhados, as motivações daqueles que os criam e como eles se espalham. 

Uma linguagem comum para a forma como falamos sobre isto é importante.  Defendemos o uso dos termos mais adequados para cada tipo de conteúdo; seja propaganda, mentiras, conspirações, rumores, trotes, conteúdo hiperpartidário, falsidades ou mídia manipulada. Também preferimos usar os termos mais amplos de informação enganosa, desinformação ou malinformação (veja abaixo). Coletivamente, chamamos isso de desordem informacional (com base em um relatório criado por Claire Wardle e Hossein Derakshan, em 2017).

Desinformação
Quando as pessoas intencionalmente criam informações falsas ou enganosas para ganhar dinheiro, exercem influência política ou causam problemas ou danos de forma maliciosa.

Mesinformação
Quando as pessoas compartilham desinformação, mas não percebem que ela é falsa ou enganosa, geralmente é porque estão tentando ajudar.

Malinformação
Quando as pessoas compartilham informações genuínas com a intenção de causar danos. Podem ser dados pessoais, pornografia de vingança ou e-mails vazados para prejudicar a reputação de alguém.

Também é útil ter um entendimento comum de como este conteúdo se espalha. Pode ser:

  • Compartilhado inconscientemente por pessoas nas mídias sociais, clicando em retweet sem verificar. 
  • Amplificado por jornalistas, que estão sob mais pressão do que nunca para entender e relatar informações que surgem nas redes sociais em tempo real. 
  • Impulsionado por grupos vagamente conectados que tentam deliberadamente influenciar a opinião pública. 
  • Disseminado como parte de uma sofisticada campanha de desinformação através de redes de robôs e fábricas de trolls.

Este entendimento comum da desordem informacionalserá vital, à medida que trabalharmos juntos para resolvê-lo. 

Os sete tipos mais comuns de desordem informacional

Dentro dos três tipos principais de desordem informacional (mesinformação, desinformação e malinformação), também nos referimos a sete categorias principais:

  1. Sátira
  2. Conexão falsa 
  3. Conteúdo enganoso 
  4. Conteúdo impostor
  5. Contexto falso 
  6. Conteúdo manipulado 
  7. Conteúdo fabricado 

Isto nos ajuda a entender a complexidade desse ecossistema e os tons de cinza que existem entre verdadeiro e falso. Eles vivem ao longo de um espectro, e mais de uma categoria pode ser aplicada a um tipo específico de conteúdo. 

1. Sátira

A sátira é um sinal claro de uma democracia saudável. É uma forma de arte poderosa, para falar a verdade ao poder, e pode ser mais eficaz do que o jornalismo tradicional. Um bom satirista exagera e ilumina uma verdade desconfortável e a leva a extremos ridículos. Eles fazem isso de uma maneira que deixa o público em dúvida sobre o que é verdade e o que não é. O público reconhece a verdade, reconhece o exagero e, portanto, reconhece a piada.

O problema nesta era da desordem informacional o é que a sátira pode ser utilizada estrategicamente para contornar os verificadores de fatos e distribuir boatos e conspirações. Se você é desafiado a espalhar boatos, você pode dizer que isto não foi feito para ser levado a sério. “Foi apenas uma piada” pode se tornar uma desculpa para espalhar informações enganosas. 

A sátira pode ser uma ferramenta poderosa, porque quanto mais ela é compartilhada on-line, mais o contexto original pode ser perdido. Nas mídias sociais, faltam as heurísticas (os atalhos mentais que usamos para entender o mundo). Em um jornal, você entende para qual seção está olhando. Você sabe se está lendo a seção de opinião ou a seção de desenhos animados. Este não é o caso on-line. 

Por exemplo, você pode estar ciente do The Onion, um site satírico muito popular nos Estados Unidos. Mas quantos outros você conhece? A página da Wikipedia para sites de notícias satíricas não inclui El Deforma, a versão mexicana do The Onion, ou a Revista Barcelona, uma revista política satírica da Argentina. E, frequentemente, quando o conteúdo é espalhado, ele perde sua conexão com o mensageiro original muito rapidamente, à medida que se transforma em capturas de tela ou memes. 

2. Conexão falsa

Como parte do debate sobre desordem da informação, é necessário que criadores de conteúdo, jornalistas e blogueiros reconheçam o nosso papel na criação de conteúdo potencialmente problemático. 

Vamos falar sobre o termo clickbait. Clickbait é algo — geralmente um título ou uma foto — que foi criado para fazer com que os leitores cliquem em um link, especialmente quando o link leva a conteúdo de valor ou interesse duvidoso. Esta “conexão falsa” é uma forma de desordem da informação. Quando utilizamos uma linguagem sensacionalista para gerar cliques, e que fica aquém da expectativa do leitor quando ele chega ao site — é uma forma de poluição. 

Frequentemente, a força de um título pode significar a diferença entre um punhado de assinantes que estão lendo um post e chegar a um público mais amplo. As postagens e as notícias precisam competir pela atenção do leitor com GIFs de gatos e Netflix. 

SOURCE: thesciencepost.com

Por exemplo, o site de notícias satíricas The Science Post publicou um artigo intitulado Estudo: 70% dos usuários do Facebook leem somente o título das histórias científicas antes de comentar em 2018. O corpo do artigo não tinha nenhum texto real, apenas parágrafos de “lorem ipsum” como espaço reservado. Mas você só sabia disso se clicasse para ler. Ele foi compartilhado mais de 125.000 vezes e comprovou o objetivo do título. A maioria das pessoas compartilha coisas sem clicar para lê-las. 

Depois disso, pesquisadores da Universidade de Columbia e do Instituto Nacional Francês (Inria) descobriram que nós somos mais propensos a ler coisas organizadas pelas pessoas que seguimos. O que nossos amigos e familiares publicam ou compartilham nas mídias sociais são chamados de “referências de leitores” e eles geram 61% da notícia clicada no Twitter, de acordo com o estudo. A pesquisa também descobriu que 59% de todos os links compartilhados não foram abertos primeiro — o que significa que as pessoas compartilharam sem ler o título. 

Segundo um dos co-autores do estudo, Arnaud Legout, de Inria, “estamos mais dispostos a compartilhar um artigo do que lê-lo”. A necessidade de tráfego e de cliques significa que é improvável que as técnicas de clickbait desapareçam, mas o uso de linguagem polarizadora e emotiva para direcionar o tráfego pode causar problemas mais profundos. Embora seja possível utilizar estas técnicas para direcionar tráfego a curto prazo, sem dúvida haverá um impacto a longo prazo no que as pessoas estão dispostas a acreditar on-line.

3. Conteúdo enganoso

O que conta como “enganoso” pode ser difícil de se definir. Tudo se resume ao contexto e às nuances: quanto de uma citação foi omitida? Os dados foram distorcidos? A maneira como uma foto foi cortada mudou significativamente o significado da imagem?

Algumas técnicas comuns incluem: reformular as histórias nos títulos, utilizar fragmentos de citações para sustentar um ponto mais amplo, citar estatísticas de maneira a alinhar-se com uma posição ou decidir não cobrir algo, porque isso prejudica um argumento.

Esta complexidade é a razão pela qual estamos longe de ter a Inteligência Artificial sinalizando este tipo de conteúdo. Os computadores entendem verdadeiro e falso, mas “enganoso” é uma área cinzenta. O computador precisa entender o conteúdo original (a citação, a estatística ou a imagem), reconhecer o fragmento e depois decifrar se o fragmento altera significativamente o significado do original.

De acordo com a Reuters Institute’s Media and Technology Trends and Predictions for 2020 [tendências e previsões de mídia e tecnologia do Instituto Reuters para 2020], 85% acham que a mídia deveria fazer mais para chamar a atenção para mentiras e meias-verdades. Existe claramente uma diferença significativa entre o conteúdo hiperpartidário sensacionalista e as legendas levemente enganosas que reformulam um problema. Mas, como a confiança na mídia despencou, o conteúdo enganoso, que antes poderia ser visto como inofensivo, deve agora ser visto de maneira diferente. 

4. Conteúdo impostor

Nossos cérebros estão sempre procurando heurísticas (atalhos mentais) para nos ajudar a entender as informações. Ver uma marca que já conhecemos é uma heurística muito poderosa. Confiamos no que sabemos e lhe damos credibilidade. O conteúdo impostor é um conteúdo falso ou enganoso que afirma ser de figuras, marcas, organizações e até jornalistas estabelecidos. 

A quantidade de informações que as pessoas coletam diariamente, mesmo usando seus telefones, significa que as heurísticas se tornam ainda mais impactantes. A confiança que temos em certas celebridades, marcas, organizações e meios de comunicação pode ser manipulada para nos fazer compartilhar informações imprecisas. 

5. Contexto falso

Esta categoria é utilizada para descrever o conteúdo original, mas que foi reformulado de maneira perigosa. É um dos tipos mais comuns de mesinformação que vemos, e é muito fácil de se produzir. Basta encontrar uma imagem, vídeo ou notícia antiga e compartilhá-la novamente para se encaixar em uma nova narrativa. 

O mercado de “Wuhan”

Um dos primeiros vídeos virais, após o surto de coronavírus em janeiro de 2020, mostrou um mercado que vendia morcegos, ratos, cobras e outros produtos de carne de animais. Diferentes versões do vídeo foram compartilhadas on-line, alegando ser da cidade chinesa de Wuhan, onde o novo vírus se originou. O vídeo foi originalmente carregado em julho de 2019 e foi filmado no Mercado de Langowan, na Indonésia. No entanto, o vídeo foi amplamente compartilhado on-line porque exibia o sentimento e os preconceitos anti-chineses das pessoas. 

6. Conteúdo manipulado

Conteúdo manipulado é quando algo genuíno é alterado. Aqui, o conteúdo não é totalmente inventado ou fabricado, mas manipulado para alterar a narrativa. Isto geralmente é feito com fotografias e imagens. Este tipo de manipulação se apoia no fato de que a maioria de nós olha para as imagens enquanto percorre rapidamente o conteúdo em pequenas telas de telefone. Portanto, o conteúdo não precisa ser sofisticado ou perfeito. Tudo o que precisa fazer é encaixar uma narrativa e ser bom o suficiente para “parecer real” nos 2 ou 3 segundos necessários para que as pessoas escolham se compartilham ou não. 

A visita sino-sudanesa

Em 3 de fevereiro de 2020, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Sudão e o Embaixador da China no Sudão se reuniram para discutir o atual surto de coronavírus. 

Nas duas semanas seguintes, as fotografias dessa reunião foram manipuladas com uso do Photoshop para mostrar o ministro sudanês usando uma máscara facial. As imagens foram amplamente compartilhadas nas mídias sociais, incluindo comentários como: “Os africanos não querem se arriscar com os chineses”. 

7. Conteúdo fabricado

Conteúdo fabricado é qualquer coisa que seja 100% falsa. Este é o final do espectro e o único conteúdo que realmente podemos chamar de “fake” (falso). Vídeos encenados, sites criados e documentos completamente fabricados se encaixariam nesta categoria. 

Parte disso é o que chamamos de “mídia sintética” ou “falsificações profundas”. Mídia sintética é um termo genérico para mídia fabricada, produzida usando inteligência artificial. Ao sintetizar ou combinar diferentes elementos de vídeo ou áudio existente, a Inteligência Artificial pode criar com relativa facilidade um “novo” conteúdo, no qual os indivíduos parecem dizer ou fazer coisas que nunca aconteceram. 

Neste vídeo de 2018, o comediante Jordan Peele usa a tecnologia da IA para fazer parecer que Barack Obama está falando para a câmera. Esta tecnologia não é nova e foi utilizada no cinema para dar vida a personagens, desde Gollum, na trilogia O Senhor dos Anéis, até uma jovem princesa Leia, em Rogue One. Atualmente, esta tecnologia é utilizada mais amplamente para criar pornografia não consensual — até mesmo criando avatares de corpo inteiro, para possibilitar que as pessoas controlem todos os aspectos do corpo humano. 

No momento, a mídia sintética ainda está engatinhando. Rostos sintéticos ainda podem ser notados, devido a pequenos erros e incompatibilidades, por exemplo. No entanto, é provável que venhamos a ver exemplos disto sendo utilizados mais amplamente em campanhas de desinformação, à medida que as técnicas se tornarem mais sofisticadas. No entanto, está em andamento um trabalho para combater a ameaça, pois os cientistas estão desenvolvendo soluções para nos ajudar a detectar estes tipos de “falsificações profundas”, por exemplo, observando com que frequência as pessoas piscam nos vídeos. 

Os quatro principais temas de informação enganosa sobre o coronavírus

Quatro categorias distintas de informação enganosa estão surgindo em torno do coronavírus. Elas estão se espalhando pelas mídias sociais e aplicativos fechados de mensagens em um padrão semelhante ao próprio vírus, atingindo cada país à medida que a crise cresce. 

Os quatro principais tipos de mesinformação: 

  1. Conspirações sobre de onde ele veio
  2. Mesinformação sobre como o vírus se espalha
  3. Informações falsas e enganosas sobre sintomas e tratamento 
  4. Boatos sobre como as autoridades e as pessoas estão respondendo 

De onde ele veio

A informação enganosa prospera quando há uma ausência de fatos verificados. É da natureza humana tentar entender novas informações com base no que já sabemos. Assim, quando as autoridades chinesas relataram uma nova cepa de coronavírus à OMS em dezembro, os usuários das mídias sociais inundaram o vácuo de informações com suas próprias teorias sobre de onde ela veio.

Para os teóricos da conspiração, ela foi criada em um laboratório pelo fundador da Microsoft, Bill Gates, como parte de uma agenda globalista para diminuir populações. Ou pelo governo chinês, como arma contra os Estados Unidos. Ou pelos Estados Unidos, como arma contra a China.

Uma das falsidades mais prejudiciais veio de um vídeo de um mercado na Indonésia, publicado on-line em junho de 2019. O vídeo é chocante, pois mostrou uma variedade de vida selvagem, incluindo morcegos, ratos e gatos, cozidos e prontos para comer.

Este vídeo mostra a seção de morcegos no mercado de #Wuhan? Não, este vídeo foi filmado na #Indonésia e não tem nada a ver com o #coronavirus #CoronaVírusFatos https://t.co/GzDDNgJyO8 pic.twitter.com/NK4nTsXoY0

— The Observers (@Observers) 4 de fevereiro de 2020

Dezenas de YouTubers pegaram o clipe e removeram os primeiros segundos que davam o nome da verdadeira localização (Langowan, na ilha indonésia de Sulawesi) e adicionaram “MERCADO DE WUHAN”. 

Como muitos boatos, isto foi baseado em um núcleo de verdade. O mercado de frutos do mar em Wuhan, que estocava uma grande variedade de animais, foi fechado em 1º de janeiro e o governo chinês proibiu a venda e o consumo de animais selvagens no final de fevereiro, em resposta direta ao coronavírus.

Como ele se espalha

SOURCE: World Health Organisation

Muitas afirmações falsas estão enraizadas na confusão e no medo muito reais. A moeda da mídia social é a emoção e, na crise do coronavírus, muitos usuários estão trocando o que acham que é um conselho útil por curtidas e compartilhamentos.

Isto é especialmente verdade quando se trata das características do vírus que o tornam contagioso. O site da OMS está cheio de informações que combatem falsas alegações, incluindo que tanto o clima quente quanto o frio matam o coronavírus (não matam), que os mosquitos podem transmitir a doença (eles não podem) e que uma lâmpada ultravioleta esteriliza sua pele (não vai esterilizar, mas pode queimar sua pele).

Em um exemplo, houve alegações de que o “paciente zero” na Itália era um trabalhador migrante que se recusou a se auto-isolar após testar positivo. Novamente, isto contém um núcleo de verdade. Um motorista de entrega foi multado por fazer exatamente isso, mas não há nenhuma evidência de que ele introduziu o vírus no país. Muitos outros boatos maliciosos também estão circulando sobre como as pessoas estão espalhando o vírus.

Em outro lugar, o projeto WorldPop, da Universidade de Southampton, publicou um estudo em fevereiro estimando quantas pessoas podem ter deixado Wuhan antes de a região ter entrado em quarentena. Ao tuitar um link para o estudo, eles escolheram uma imagem que mapeava as rotas globais de tráfego aéreo e viagens de todo o ano de 2011. Este “mapa aterrorizante” foi publicado por várias agências de notícias australianas e britânicas sem ser verificado. Embora o projeto WorldPop tenha excluído seu tuíte equivocado, o dano já tinha sido causado.

Sintomas e tratamento

Os maus conselhos sobre tratamentos e curas são, de longe, a forma mais comum de informação enganosa e podem ter sérias consequências. Isto pode fazer com que as pessoas deixem de procurar os cuidados de que precisam e, na pior das hipóteses, pode custar vidas. No Irã, onde o álcool é ilegal e milhares foram infectados, 44 pessoas morreram e centenas foram hospitalizadas depois de beber álcool caseiro para se proteger contra a doença, segundo a imprensa iraniana.

Também vimos especulações sobre os sintomas, já que os usuários das mídias sociais procuram se tranquilizar. Uma lista de verificações e sintomas se tornou viral em todo o mundo no início de março. Dependendo de onde você o adquiriu, a lista era atribuída a especialistas de Taiwan, médicos japoneses, Unicef, CDC, Conselho do Hospital de Stanford e o colega do remetente que tinha mestrado e trabalhava em Shenzen. A mensagem sugeria que bebidas quentes e calor matam o vírus e que prender a respiração por 10 segundos todas as manhãs poderia ser usado para verificar se você o tinha. Nenhuma dessas afirmações foi comprovada.

Talvez, o exemplo mais famoso até hoje seja o do presidente Trump, que afirmou, em uma entrevista coletiva, que a hidroxicloroquina, utilizada em tratamentos contra a malária, poderia tratar a Covid-19. Embora existam estudos controlados randomicamente agora, para testar a eficácia do medicamento, as pessoas ficam confusas sobre se devem tentar obter acesso a ele e há relatos de escassez do medicamento, enquanto as pessoas tentam armazenar. Infelizmente, outros também confundiram o nome da droga com outras substâncias e, dois dias após a conferência de imprensa, um casal do Arizona, com seus sessenta anos, foi hospitalizado, após tomar fosfato de cloroquina, de acordo com a Banner Health. O marido morreu no hospital e a esposa disse à NBC que eles haviam assistido à conferência de imprensa.

Os boatos variam desde os mais graves, conforme descrito acima, até superstições inofensivas sobre alimentos e remédios caseiros como potencialmente úteis. Por fim, por mais frívolas que sejam, as pessoas precisam perceber a importância de não compartilhar nenhuma informação, a menos que seja de uma fonte primária e que, em quase todos os casos, precisa ser um especialista médico.

Minha mãe colocou uma cebola no canto de todos os cômodos da casa porque o whatsapp a aconselhou. Este é o cúmulo do culto da mãe do whatsapp. Eu não me aguento de tanto rir pic.twitter.com/KF894u0aHt

— ayylmao (@temmyoseni73) 23 de março de 2020

Como as autoridades e as pessoas estão respondendo

Tanto a pandemia quanto a infodemia agora são globais. O público em rede nas mídias sociais compartilha conteúdo além-fronteiras, em um esforço para avisar um ao outro o que está por vir. 

Fotos de prateleiras vazias, enquanto as pessoas entram em pânico comprando papel higiênico, já estavam circulando no início do ano, quando as pessoas na China e em Hong Kong reagiram ao coronavírus. Um vídeo antigo de uma liquidação de supermercado, de 2011, foi compartilhado novamente e atribuído à compra em pânico em várias cidades do Reino Unido, Espanha e Bélgica. Imagens de prateleiras vazias nos supermercados dos EUA, de 2018, também alegaram mostrar o pânico no Sri Lanka, enquanto imagens antigas do México relataram como sendo saques na Turquia. Exemplos como estes espalham o pânico de país a país. 

Boatos sobre como diferentes governos estão reagindo à pandemia e, portanto, o que poderia estar por vir, também viajam por toda parte. As regras mudam de país para país, até mesmo de estado para estado. 

Com as novas medidas do governo, surge um surto de imagens deturpadas, alegando que a polícia está pesando a mão com quem sai de casa, ou que o exército está rondando pelas ruas para fazer cumprir a lei marcial. 

Também não ajuda o fato de que, às vezes, as instruções dadas pelos governos não sejam claras e que as pessoas tenham perguntas que ficam sem resposta, tais como: se podem visitar parentes, ou se precisam de uma permissão para sair para passear com o seu cachorro.

Recentemente, capturas de tela de textos falsas circularam no Reino Unido, alegando que o governo está vigiando pessoas usando dados de localização de seus telefones. Estes boatos falsos afirmam que, se você sair mais de uma vez, você recebe um texto com a emissão uma multa. Novamente, isto está enraizado em um fundo de verdade — o governo britânico enviou um texto a todas as pessoas do Reino Unido dizendo que elas não deveriam sair de casa, exceto para saídas essenciais. 

À medida que a mesinformação viaja ao redor do mundo, continuamos a ver de onde o vírus veio, como ele se espalha, sintomas e tratamentos e resposta do governo como as quatro principais categorias de informação enganosa.

Dez caracteristicas da informação enganosa sobre o Coronavirus

 

Monitoramento

Como pensar em palavras-chave

As pesquisas inteligentes cortam as conversas nas mídias sociais ao encontrar trechos precisos de informações com base em palavras-chave. Ao pesquisar por conteúdo digno de destaque on-line, você precisa saber exatamente o que está procurando e ter as habilidades necessárias para encontrá-lo. Usar as palavras-chave certas, para pesquisar nos lugares certos, é fundamental. Ao pensar em palavras-chave:

  • Pense em como as pessoas falam (inclua palavrões, erros de ortografia, gírias, etc.).
  • Conecte palavras-chave utilizando consultas de pesquisa booleana.
  • Inclua termos em primeira pessoa (meu, eu sou, eu, minha) para encontrar conteúdo de testemunha ocular.
  • Pense em plataformas como fontes. Diferentes conversas acontecem em diferentes comunidades. 
  • Lembre-se de que as palavras-chave evoluem.

Como escrever uma consulta de pesquisa booleana básica

É aqui que as consultas de pesquisa booleana ajudam. Estas sequências de palavras permitem que você corte o papo comum das mídias sociais, atualizando uma pesquisa padrão para uma pesquisa específica e multifacetada para encontrar trechos de informações mais precisos.

Neste guia rápido, abordamos o básico do que você precisa saber para pesquisar nas redes sociais para uma coleta de notícias eficaz.

As pesquisas booleanas ajudam a especificar exatamente o que você está procurando ou não. Por exemplo, digamos que você esteja procurando postagens durante um evento de notícias de última hora, como o incêndio de Notre Dame. Você deseja procurar por Notre Dame, mas não deseja postagens sobre o filme da Disney.

A pesquisa booleana vai permitir que você inclua postagens que mencionem “Notre Dame”, mas exclua as do filme da Disney, para refinar os resultados da pesquisa e encontrar as informações que você procura.

Isto é possível com os “operadores”, que permitem combinar várias palavras-chave. Existem três operadores para pesquisas básicas: AND, OR e NOT.

AND

AND permite que você restrinja sua pesquisa para buscar somente resultados que combinem dois ou mais termos. Por exemplo, você pode procurar por “Notre Dame” e disparar.

OR

OR permite que você amplie sua pesquisa para buscar resultados conectando dois ou mais termos semelhantes. Isto pode ser bom para erros de ortografia e erros de digitação.
No caso de Notre Dame, você pode procurar por “Notre Dame” OU “Notre Dam”. Isto vai buscar todos os resultados que contenham uma das frases.

Pontos chave:

  • Os operadores (AND, OR) devem ser escritos em maiúsculas, ou não vão funcionar
  • Se você estiver procurando por frases (termos compostos por várias palavras), vai precisar colocá-las entre aspas (por exemplo, “vacina contra o coronavírus”)
  • Você não vai conseguir encontrar informações que foram tornadas privadas por um usuário

Como adicionar complexidade à sua pesquisa

O agrupamento de seções é mais útil para pesquisas longas e complicadas. Ele vai reduzir o risco de quebra da pesquisa e é mais simples de gerenciar. Também conhecida como aninhamento, esta abordagem também permite pesquisar inúmeras variações de seus termos de pesquisa ao mesmo tempo. Para agrupar partes de uma pesquisa, basta usar colchetes ou parênteses.

Por exemplo, se você deseja encontrar várias hashtags e erros de ortografia relacionados ao coronavírus, escreva:

(Coronavírus OR caronavírus OR ataquedecoronavírus OR coronoavírus)

As partes de sua pesquisa que estão entre parênteses serão priorizadas pelo banco de dados ou pelo mecanismo de pesquisa para buscar um conjunto mais amplo de resultados.

Exemplos de consultas de pesquisa booleana para monitorar o coronavírus

Aqui estão alguns exemplos de pesquisas booleanas que a equipe do First Draft está utilizando para monitorar problemas em relação ao coronavírus. Recomendamos que você adicione algumas palavras-chave adicionais específicas para sua área ou público.

Termos Gerais da Covid

Observação: nos sentimos obrigados a mencionar que nossa inclusão de determinados termos de pesquisa se deve à prevalência nas plataformas sociais; certamente não apoiamos a terminologia racista. 

Coronavírus OR COVID-19 OR secreto OR Sars-Cov-2 OR “vírus corona” OR “gripe china” OR “gripe wuhan” OR “gripe wuhan” OR wuhanvírus OR “vírus china” OR “chinavírus OR caronavírus” OR coronovírus

Eleições e Covid

(Coronavírus OR COVID-19 OR covid OR Sars-Cov-2 OR “vírus corona” OR “gripe china” OR “gripe wuhan” OR “vírus china” OR “vírus china” OR “chinavírus OR caronavírus) AND (votação OR votante OR voto OR votos OR eleitores OR eleição OR eleições OR primária OR primárias OR pesquisas OR “local da votação” OR “local da votação” OR cédula OR cédula)

Censo e Covid 

Observação: esta pesquisa contém um operador de proximidade, que retorna resultados somente se as palavras estiverem próximas uma da outra. A notação para uma pesquisa por proximidade é diferente, dependendo do mecanismo de pesquisa. A notação que usamos abaixo está formatada para o Google.

(Coronavírus OR COVID-19 OR covid OR Sars-Cov-2 OR “vírus corona” OR “gripe china” OR “gripe wuhan” OR “vírus china” OR “vírus china” OR “chinavírus” OR caronavírus) AND (censo OR questionário OR porta AROUND(3) bater OR porta AROUND(3) bater OR porta AROUND(3) bater)

Perguntas sobre a Covid

Observação: esta pesquisa provavelmente vai retornar falsos positivos, mas provou ser interessante para a equipe do First Draft, independentemente:

(Coronavírus OR COVID-19 OR secreto OR Sars-Cov-2 OR “vírus corona” OR “gripe da china” OR “gripe wuhan” OR “gripe wuhan” OR “vírus da china” OR “chinavírus” OR caronavírus) AND (“Eu tenho uma pergunta” OR “Devo” OR “posso” OR “o que acontece se”)

Monitoramento com Listas do Twitter

A função de Lista do Twitter é uma ótima maneira de se coletar e monitorar contas de interesse do Twitter. 

As Listas do Twitter permitem a você:

  • Monitorar grupos de contas, organizações por tópico, etc.
  • Ver o conteúdo das contas sem segui-las
  • Seguir ou assinar as listas de outras pessoas
  • Compartilhar listas de contas úteis com colegas

Como encontrar Listas do Twitter no Twitter.com

1. Para criar uma lista, primeiro abra a sua conta do Twitter e navegue até o ícone no painel esquerdo que se parece com um documento com algumas linhas de texto.

Source: Twitter.com/WHO

2. Isto levará você a uma tela com todas as listas que você criou, se inscreveu ou é membro. No canto superior direito, você verá o mesmo ícone de documento, desta vez com um sinal de mais — clique nele!

3. Aqui você pode dar um nome e uma descrição para a sua lista. Também é onde você pode optar por tornar a sua lista privada (visível apenas para você) ou pública (listada em seu perfil e pesquisável).

4. Depois de preencher as caixas, clique em Avançar e você será levado para uma barra de pesquisa, onde poderá digitar os nomes das contas para começar a adicionar à sua lista.

5. Como alternativa, se você estiver explorando o Twitter e encontrar uma conta que gostaria de adicionar a uma lista existente, escolha os três pontos ao lado do botão a seguir no perfil e clique em “adicionar/remover das listas”.

6. Depois que uma lista é criada, você pode clicar nela para explorar um feed, que consiste apenas em conteúdo tuitado ou retuitado pelos membros da lista.

Como pesquisar por listas do Twitter no Google

Existem inúmeras Listas do Twitter disponíveis ao público que podem ser úteis para o seu trabalho. Para encontrá-las, escolha a opção “Ver Listas” abaixo de “adicionar/remover das Listas”, vista na captura de tela acima. 

FONTE: google.com

Não existe nenhuma maneira nativa de procurar por Listas do Twitter por tópico no Twitter, mas você pode usar este atalho do Google para encontrar Listas do Twitter públicas; site:twitter.com/*/lists “termo de pesquisa”

Exibindo Listas do Twitter no Tweetdeck

O Tweetdeck é uma ferramenta gratuita amplamente utilizada por jornalistas e pesquisadores para monitorar e reunir notícias no Twitter.

FONTE: tweetdeck.twitter.com

Na interface do Tweetdeck, você pode monitorar várias colunas com conteúdos diferentes em um só lugar. As colunas podem consistir de listas, usuários, pesquisas por palavras-chave, menções e curtidas no Twitter e muito mais. 

No exemplo abaixo, estamos monitorando uma lista (políticos do NH), uma pesquisa por palavra-chave e um usuário (governador Chris Sununu). Para acessar o Tweetdeck, tudo o que você precisa é de uma conta no Twitter. Você simplesmente faz login com suas credenciais do Twitter, clique na opção “Adicionar coluna” no lado esquerdo, escolha o que deseja explorar e comece a monitorar.

Como copiar listas do Twitter

A Cópia das Listas do Twitter, fundada por um estudante de graduação, é uma maneira útil de se poder copiar as listas da conta de outra pessoas.

FONTE: Twitter Copy List [Lista de Cópias do Twitter

Faça o login na sua própria conta do Twitter, no site, e digite o identificador da conta do proprietário da lista do Twitter que você deseja copiar.

O menu suspenso fornecerá todas as listas que a conta configurou. Basta selecionar o que você deseja copiar. A ferramenta somente permitirá que você copie isto em uma das suas listas existentes do Twitter, então você pode criar uma lista em branco com o nome que deseja usar antes de acessar este site.

Live displays do Crowdtangle para todos os países

O CrowdTangle é uma ferramenta de análise social de propriedade do Facebook Seus portais principais exigem inscrição, mas todos podem acessar seus Live Displays públicos. Ele é uma maneira rápida e visual de ver como as informações sobre o coronavírus estão sendo espalhadas nas mídias sociais. 

Os Live Displays públicos são organizados por região e país e mostram conteúdo da mídia local, páginas regionais da Organização Mundial da Saúde, agências governamentais e políticos locais, além de discussões nas mídias sociais do Facebook, Instagram e Reddit. 

Cada Live Display público mostra postagens relacionadas à Covid-19 em tempo real, classificadas por palavra-chave, com páginas públicas e contas para cada região.

Você deseja saber qual conteúdo do corona está em tendência [trending] no seu país no Facebook? @Crowdtangle lançou os Live Displays disponíveis ao público. Você não precisa de uma conta para usá-los: https://t.co/9iJDltb22C

— Johanna Wild (@Johanna_Wild) 25 de março de 2020

Utilização de feeds RSS para se manter atualizado

O RSS, ou Really Simple Syndication, é uma maneira fácil de se obter conteúdo novo dos sites ou blogs de seu interesse, tudo em um único feed. Em vez de verificar vários sites todos os dias, basta instalar um leitor de RSS e receber qualquer conteúdo novo atualizado. 

Como se inscrever no Feedly

Existem vários aplicativos leitores de RSS disponíveis, mas recomendamos o Feedly, por sua usabilidade. Primeiro, você precisa se registrar como um usuário do Feedly. Depois de criar sua conta, você vai poder começar a criar feeds RSS, organizados para atender às suas necessidades. Você pode escolher por ter feeds diferentes para tópicos diferentes ou criar feeds para fontes específicas, como autoridades governamentais ou sites de notícias. O que você escolher incluir em seus feeds depende totalmente de você. 

FONTE: Feedly

Configuração de feeds

Para configurar um feed RSS, vá até Feedly e clique em “criar um feed”. Será solicitado que você atribua um título ao novo feed e comece a preenchê-lo com o que deseja acompanhar. O Feedly permite a você inserir um site, palavra-chave ou link RSS específico. 

Seguindo um site

Se você quiser ver todo o novo conteúdo de um site no seu feed, escolha o site de seu interesse, clique no botão “Seguir” e adicione-o ao feed pertinente. 

FONTE: Feedly

Seguindo uma palavra-chave ou frase

As palavras-chave funcionam da mesma forma que os alertas do Google. Portanto, você pode escolher esta opção se desejar que todas as menções de uma palavra-chave ou de um conjunto de palavras-chave sejam entregues no seu feed. Se você estiver interessado em uma frase específica, insira-a usando aspas. 

Você também pode usar alertas de palavras-chave para monitorar as menções de uma publicação, de pessoa ou tópico, independentemente do site que a publicou. 

Seguindo um link RSS

Se você digitar um site de seu interesse e ele não aparecer no Feedly, mas souber que eles têm RSS, você pode adicionar /RSS ao final do URL e inserir esse link no Feedly para adicioná-lo aos seus feeds RSS personalizados. 

Como detectar padrões e modelos

No passado, nunca tivemos uma história de nĩvel global em que a mesma informação enganosa atravessasse fronteiras em tempo real. Durante as eleições, vemos as mesmas técnicas sendo usadas. Por exemplo, o truque de circular informações com a data errada da votação foi visto em quase todos os países. Depois que os mal-intencionados descobrem que algo funciona, é mais fácil reutilizar a ideia do que começar do zero e arriscar uma falha. O mesmo está acontecendo com o coronavírus. Continuamos vendo os mesmos padrões de histórias e os mesmos tipos de conteúdo que viajam de país para país enquanto as pessoas compartilham informações. Eles se tornam “modelos” replicados em idiomas e plataformas diferentes.

Embora seja possível encontrar esses exemplos de “modelo” em todas as plataformas, durante esta pandemia de coronavírus, estamos vendo muitos desses modelos de recortar e colar em aplicativos fechados de mensagens e grupos do Facebook. Portanto, é difícil entender a escala dessas mensagens, mas, curiosamente, estamos vendo muitas pessoas relatando palavras e imagens semelhantes.

O problema é que a maioria delas se apoia em um pouco de verdade: isso faz essas mensagens se espalharem mais rapidamente, porque é mais difícil determinar qual parte da informação é falsa. Seja fraudes, trotes ou o mesmo vídeo sendo compartilhado com o mesmo erro (mas contexto traduzido), esteja atento.

Bloqueios totais

Em todo o mundo, estão se espalhando preocupações sobre bloqueios militares iminentes, quarentenas nacionais e o estabelecimento da lei marcial após anúncios de várias ordens de ficar em casa ou em um abrigo. Diferentes países têm regras diferentes e, às vezes, até cidades diferentes aprovaram diferentes diretrizes em momentos diferentes. Isso aumenta a confusão geral, e o resultado é que as pessoas compartilham informações tentando garantir que seus entes queridos fiquem seguros e preparados. 

Por exemplo, vários canais e grupos de transmissão do Telegram compartilharam clipes de tanques em trens, veículos pesados e outros veículos militares que circulavam por cidades grandes e pequenas. Um vídeo, compartilhado com um canal popular do Telegram com milhares de assinantes, afirmou que eles tinham uma gravação do “Exército entrando em Nova York”. No entanto, o criador do vídeo diz que ele estava no FedExField, que fica em Washington, DC.

Vimos o mesmo tipo de vídeo sendo compartilhado nas redes sociais da Irlanda no Reino Unido, com supostos tanques nas ruas, bloqueios nas estradas feitos pela polícia e pelos militares em meados de março. Os vídeos eram, na maioria das vezes, mais antigos e compartilhados on-line fora de contexto, ou eram imagens de acidentes de trânsito em que a polícia havia atuado. Mas como eles se encaixam em diferentes narrativas on-line do que estava acontecendo em outros países, as pessoas compartilhavam para avisar umas às outras o que possivelmente estava por vir. 

Como as pessoas estão tentando se manter seguras, existem versões semelhantes de rumores de bloqueios pedindo que as pessoas se certifiquem de que estão preparadas e prontas. 

No entanto, essas mensagens deixam de fora informações essenciais e potencializam os medos das pessoas. A realidade para muitas cidades em bloqueio total é que muitas lojas essenciais ainda estão abertas, as pessoas podem sair para se exercitar ou comprar comida, e mensagens pedindo que as pessoas estejam preparadas apenas estimulam as compras realizadas por causa do pânico. 

No Facebook, uma publicação viral de uma influenciadora de maquiagem italiana disse a dois milhões de seguidores que os americanos estavam correndo para comprar armas em Nova York e em outras grandes áreas metropolitanas, e que ela “fugiu” da cidade por temer por sua segurança.

À medida que países e cidades ao redor do mundo tomam suas próprias medidas, vemos o mesmo tipo de reação on-line repetidas vezes. As pessoas estão preocupadas sobre como permanecer seguras e preparadas. 

Às vezes, a confusão acontece no vácuo de informações entre as pessoas verem as coisas acontecendo ao seu redor e o tempo que leva para os governos e instituições explicarem o que está acontecendo. 

Uma publicação on-line nas redes sociais relatando a presença de aviões militares no aeroporto da cidade de Londres em 25 de março de 2020. Uma publicação no Twitter do Exército do Reino Unido em Londres explicando a presença de veículos militares nas ruas em 27 de março de 2020.

Se você vir algo suspeito, verifique usando um mecanismo de pesquisa. É muito provável que o mesmo conteúdo tenha sido desmentido por um fact-checker ou uma sala de imprensa em outra parte do mundo. O Buzzfeed tem uma lista muito abrangente de fraudes e boatos que você pode encontrar aqui. 

A ética do monitoramento de grupos fechados

À medida que essa pandemia se espalha pelo mundo, estamos vendo muitas conversas relacionadas ao vírus se espalharem para grupos e canais de mensagens privados. Isso pode ser porque as pessoas se sentem menos confortáveis em compartilhar informações em espaços públicos em um momento como esse, ou pode ser que as pessoas estejam recorrendo a fontes que sentem que conhecem e confiam à medida que o medo e o pânico aumentam.

Uma das consequências dessa mudança é que os rumores circulam em espaços impossíveis de rastrear. Muitos desses espaços são apenas para convidados ou têm criptografia de ponta a ponta; portanto, nem as empresas sabem o que está sendo compartilhado lá.

No entanto, há um interesse público de que jornalistas, fact-checkers, autoridades de pesquisa e saúde pública entrem nesses espaços para entender quais rumores estão circulando e para que possam desmenti-los? É ético relatar o material que você encontra nesses espaços?

Existem desafios éticos, de segurança e até legais para monitorar o conteúdo em espaços fechados, conforme descrito no Guia Essencial para Grupos Fechados da First Draft. Aqui está um resumo, com base em algumas das principais perguntas que os jornalistas devem considerar:

Você precisa estar em um grupo privado para fazer pesquisas e relatos sobre o coronavírus?

Try looking for your information in open online spaces such as Facebook Pages before joining a closed group.

Qual é a sua intenção?

Você está procurando rumores sobre curas e tratamentos, fontes de um hospital local ou informações sobre respostas do Estado? O que você precisa para seus relatos determinará que tipo de informação procurar e de quais canais ou grupos participar.

Quanto de suas próprias informações você vai revelar?

Alguns grupos de Telegrama querem participantes não espreitadores, e alguns grupos do Facebook têm perguntas que você precisa responder antes de poder participar. Quanto você vai compartilhar honestamente? 

Quanto você vai compartilhar dessas fontes privadas?

As pessoas estão procurando respostas porque têm medo. Se o grupo está perguntando sobre bloqueios totais e proibições nacionais de viagens, e as respostas compartilhadas estão criando pânico e medo, como você vai compartilhar isso publicamente? Considere novamente sua intenção e se essa comunidade tem uma expectativa razoável de privacidade antes de compartilhar capturas de tela, nomes de grupos e identificadores pessoais, como nomes de usuário. A publicação ou liberação dessas mensagens prejudicará a comunidade que você está monitorando? 

Qual é o tamanho do grupo fechado em que você deseja ingressar?

Facebook, WhatsApp, Discord, WeChat e Telegram têm grupos e canais de tamanhos variados. A quantidade de conteúdo compartilhado depende mais do número de usuários ativos do que dos números gerais. Observe o nível de participação do grupo antes de ingressar.

Se você deseja publicar uma história com as informações coletadas, você vai divulgar sua intenção?

Considere como esse grupo pode reagir a um repórter e quantas informações reveladoras de identidade do grupo você deseja publicar.

Se você revelar sua intenção, é provável que receba atenção ou reação indesejada?

O guia essencial da First Draft sobre aplicativos fechados de mensagens mostra que jornalistas negros e mulheres, por exemplo, podem enfrentar preocupações adicionais de segurança ao entrar em grupos potencialmente hostis. Se você decidir entrar no grupo usando sua identidade real, a quem você vai divulgar essas informações? Apenas ao administrador ou ao grupo todo?

Quanto você vai compartilhar sobre seus processos e procedimentos de coleta de notícias?

A revelação de sua metodologia incentivará outras pessoas em grupos privados a entender melhor o fenômeno da mesinformação? Isso impactaria negativamente essas comunidades e levaria as pessoas a grupos mais secretos? Você precisará sair do grupo após a publicação ou continuará relatando o que ocorre lá? 

Por fim, as pessoas vão procurar respostas onde quer que possam encontrá-las. Como jornalistas, é importante que essas lacunas de dados sejam preenchidas com fatos e informações atualizadas de fontes confiáveis. A questão é como conectar os líderes comunitários a informações de qualidade, para que menos rumores e falsidades se espalhem nesses espaços fechados.

Fontes confiáveis de informações sobre o coronavírus

O infodêmico que acompanha o surto de coronavírus está dificultando que as pessoas encontrem fontes confiáveis e orientações confiáveis quando precisam. Saber onde procurar conselhos confiáveis é vital, portanto, listaremos algumas fontes confiáveis.

Lembre-se, nem todas as pesquisas são criadas da mesma forma. Só porque algo é apresentado em um gráfico ou tabela, não significa que os dados sejam sólidos. 

A Reuters analisou estudos científicos publicados sobre o coronavírus desde o início do surto. Dos 153 estudos identificados, 92 não foram revisados por pares, apesar de incluir algumas alegações bastante estranhas e não verificadas, como vincular o coronavírus ao HIV ou a transmissão da cobra para o humano. O problema com a “ciência de velocidade”, como a Reuters chamou, é que as pessoas podem entrar em pânico ou tomar decisões políticas erradas antes que os dados sejam pesquisados adequadamente.

FONTE: Reuters, 2020. Speed Science: The risks of swiftly spreading coronavirus research

Aqui estão alguns dos melhores lugares para obter conselhos e atualizações confiáveis:

Departamentos e agências governamentais

Esses departamentos governamentais fornecem atualizações sobre o número de casos de infecção por coronavírus, atividades governamentais, conselhos de saúde pública e contatos com a mídia:

ONGIs e ONGs

As organizações não-governamentais abaixo fornecem dados e orientações globais e regionais sobre o coronavírus:

Instituições acadêmicas

Essas organizações e instituições fornecem pesquisas e dados sobre o coronavírus, além de comentários de especialistas.

A necessidade de ceticismo emocional

As pessoas gostam de se sentir conectadas a uma “tribo”. Essa tribo pode ser composta por membros do mesmo partido político, pais que não vacinam seus filhos, ativistas preocupados com as mudanças climáticas ou aqueles pertencentes a uma determinada religião, raça ou grupo étnico. Quando estão on-line, as pessoas tendem a se comportar de acordo com a identidade de sua tribo, e a emoção tem um papel importante nisso, principalmente quando se trata de compartilhar. 

Os neurocientistas sabem que é mais provável que nos lembremos de informações que atraem nossas emoções: histórias que nos deixam com raiva, tristes, assustados ou que nos façam rir. Os psicólogos sociais estão realizando mais experimentos para testar essa questão da emoção, e parece que essa emocionalidade elevada é preditiva de uma crença crescente em informação falsa. É possível argumentar que o planeta inteiro está atualmente experimentando “emocionalidade elevada”.

Histórias falsas e enganosas se espalham como fogo, porque as pessoas as compartilham. Mentiras podem ser muito emocionalmente atraentes. Elas também tendem a ser fundamentadas na verdade, em vez de totalmente inventadas. Cada vez mais, vemos a armamentização do contexto, ou seja, o uso de conteúdo genuíno, mas de um tipo que é distorcido e reformulado. Qualquer coisa com um núcleo de verdade é muito mais bem-sucedida em termos de persuadir e envolver as pessoas. 

Em fevereiro, um casal australiano foi colocado em quarentena em um navio de cruzeiro na costa do Japão. Eles ganharam seguidores no Facebook interessados em suas atualizações regulares e, um dia, relataram que pediram vinho usando um drone. Jornalistas começaram a relatar a história e as pessoas compartilharam. Mais tarde, o casal admitiu que a publicou aquilo como uma piada para seus amigos.

Isso pode parecer trivial, mas o compartilhamento irracional de declarações falsas pode minar a confiança geral. Além disso, para jornalistas e salas de imprensa, se os leitores não podem confiar em você nas pequenas coisas, como eles podem confiar em você nas grandes coisas? Portanto, um certo ceticismo emocional é essencial. Não importa se você tem treinamento em verificação ou alfabetização digital, não importa se você se é de esquerda ou de direita. Os seres humanos são suscetíveis à mesinformação. Durante um período de crescente medo e incerteza, ninguém fica imune, razão pela qual se dar conta de como uma informação faz você se sentir é a lição mais importante a ser lembrada. Se uma alegação faz você querer gritar, chorar ou comprar algo imediatamente, vale a pena respirar fundo.

 

Verificação

Os cinco pilares da verificação

A verificação pode ser intimidadora, mas, através da repetição, da persistência e do uso de ferramentas de investigação digital com um pouco de criatividade, ela pode ser facilitada. Não há receita para verificar o conteúdo on-line ou um conjunto de etapas que funcionam sempre. Consiste em fazer as perguntas certas e encontrar o máximo de respostas possível. 

Não importa se você está assistindo a um vídeo criado por uma testemunha ocular, uma possível deepfake ou um meme, as verificações básicas a serem executadas são as mesmas. Quanto mais você souber sobre cada pilar, mais forte será sua verificação.

    1. Proveniência: Você está olhando para o conteúdo original?
    2. Fonte: Quem capturou o conteúdo original?
    3. Data: Quando o conteúdo foi capturado? 
    4. Localização: Onde esse conteúdo foi capturado?
    5. Motivação: Por que esse conteúdo foi capturado?

Estabeleça um fluxo de trabalho de verificação

Agora que você sabe quais perguntas fazer, aqui estão três etapas principais para qualquer fluxo de trabalho de verificação: 

    1. Documente tudo. É fácil perder informações cruciais. A documentação também é importante para a transparência da sua verificação. Salve capturas de tela ou use um backup em um serviço como Wayback Machine. 
    2. Configure uma caixa de ferramentas. Faça listas de ferramentas, adicione-as aos favoritos e compartilhe-as com colegas. Não perca tempo tentando lembrar como é chamado o site que faz pesquisa reversa de imagens. Temos um Kit Básico de Ferramentas de Verificação que você pode adicionar aos seus favoritos. 
    3. Não esqueça de usar o telefone. O bom e velho jornalismo analógico, às vezes, pode ser a maneira mais rápida de verificar algo. 

A verificação é vital, mas cuidado com as armadilhas. Frequentemente, a verificação leva alguns minutos, outras vezes, pode levá-lo por um caminho sem fim. Saiba quando é hora de interromper a investigação. 

Verifique imagens com a pesquisa reversa de imagens

Uma imagem vale mais que mil palavras e, quando se trata de desinformação, também pode valer mil mentiras. Um dos tipos mais comuns de mesinformação que vemos na First Draft é assim: fotografias ou vídeos genuínos, que não foram editados, mas que são compartilhados novamente para se encaixar em uma nova narrativa.

Porém, com apenas alguns cliques, você pode verificar esses tipos de imagens quando elas são compartilhadas on-line e em grupos de mensagens. 

Assim como você pode usar o Google para verificar fatos e alegações, você pode pedir a um mecanismo de pesquisa para procurar fotos semelhantes e até mapas na internet para verificar se eles já foram usados antes. Isso se chama “pesquisa reversa de imagens” e pode ser feito com mecanismos de pesquisa como Google, Bing, o site russo Yandex ou outros bancos de dados, como o TinEye.

Em janeiro, as postagens do Facebook que receberam milhares de compartilhamentos exibiram a fotografia (incorporada abaixo) e alegavam que as pessoas que aparecem na foto eram vítimas de coronavírus na China. Uma rápida olhada na arquitetura mostra que ela parece muito europeia, o que pode gerar suspeitas. Então, se capturarmos a imagem, a executarmos em um mecanismo de pesquisa reversa de imagens e procurarmos os locais anteriores em que foi publicada, encontraremos a foto original de 2014. Era uma imagem, originalmente publicada pela Reuters, de um projeto de arte em Frankfurt, que mostrava pessoas deitadas na rua em memória das vítimas de um campo de concentração nazista.

Uma fotografia de um projeto de arte de 2014 da Alemanha que foi compartilhada no Facebook em 2020 para alegar falsamente que as pessoas que apareciam na foto eram vítimas do coronavírus na China.
FONTE: Kai Pfaffenbach Reuters

Aqui estão algumas ferramentas que você pode usar:

  • Computador: RevEye’s Plugin permite pesquisar qualquer imagem na internet sem sair do navegador.
  • Celular: TinEye permite que você faça a mesma coisa no seu telefone.

    Todo o processo leva alguns segundos, mas é importante lembrar de sempre verificar quando você vir algo chocante ou surpreendente.

Como usar a geolocalização para determinar onde uma foto ou vídeo foi feito

Na maioria das redes sociais, quando você carrega uma postagem, imagem ou vídeo, a rede pergunta onde você está. Frequentemente, a própria rede ajudará você localizando posição do GPS do seu telefone e sugerindo essa localização. Mas você pode substituir essa sugestão. Isso significa que, sempre que você vê uma publicação nas redes sociais, não pode confiar no local mostrado. Então você precisa fazer sua própria investigação.

Todos nós temos habilidades de observação poderosas, que, quando combinadas com um pouco das capacidades do Google, podem nos ajudar a decidir rapidamente se uma foto é o que ela afirma ser. Veja o tweet abaixo do New York Post. É sobre o primeiro caso de diagnóstico confirmado de coronavírus em Manhattan. Alessandra Biaggi, senadora norte-americana que representa a área, rapidamente destacou que a fotografia que usaram foi tirada no Queens. Como ela sabia?

Nesse caso, podemos usar a rua e armazenar as placas que aparecem na foto para encontrar o mesmo local no mapa. Pesquise por “Duane Reade” “Main Street” “New York” e você verá três opções.

FONTE: GOOGLE.COM

Flushing, no Queens, é um bom lugar para começar, pois é um bairro bem diverso. Ao ir para a Main Street Duane Reade no Google Maps, é possível colocar o homenzinho amarelo nas ruas para obter a versão do Street View. A partir daí, você pode ver os mesmos edifícios da mesma perspectiva que o fotógrafo.

Se a foto for ao ar livre, procure pistas na arquitetura, placas de rua, o que as pessoas estão vestindo, em que lado da rua os carros estão trafegando, nomes das empresas etc. O que você consegue procurar e verificar? Você consegue procurar as empresas e lojas? Você consegue encontrar o mesmo local no mapa?

Se a foto for em um ambiente interno, você consegue procurar as tomadas na parede, qual o idioma dos pôsteres, o clima e o que está passando na TV. 

Para praticar suas habilidades de observação, faça o nosso desafio de observação interativa. E se você é um profissional, experimente o nosso desafio avançado de geolocalização.

Como verificar vídeos usando miniaturas e o InViD

Sempre que você envia um vídeo para a Internet, ele cria uma miniatura ou captura de tela para mostrar como visualização prévia. Você pode alterá-la manualmente, mas a maioria das pessoas não faz isso. Assim como você pode usar uma pesquisa reversa de imagens para descobrir se uma fotografia foi publicada na Internet antes, você pode usar miniaturas para ver se um vídeo foi publicado anteriormente on-line. 

Video mostrando pessoas flagradas expelindo gases por câmeras térmicas foi originalmente produzido em 2016
FONTE: Banana Factory

Por exemplo, este vídeo silencioso, mas mortal, dizia mostrar pessoas pegas expelindo gases em câmeras térmicas que monitoravam a temperatura de possíveis pacientes com coronavírus. Porém, depois de realizar pesquisa reversa de imagens nas capturas de tela do vídeo, é possível descobrir que  o vídeo original é um vídeo humorístico de 2016. O vídeo foi criado por um grupo on-line chamado Banana Factory, que adicionou as “nuvens” ofensivas por computador antes de ser compartilhado por sites como LadBible e Reddit.

Em todo o mundo, os fact-checkers estão verificando vídeos que afirmam falsamente mostrar os sintomas ou o impacto do coronavírus. Todos eles são apenas vídeos antigos compartilhados com uma nova legenda. Como disse o chefe da OMS, Dr. Tedros, esse tipo de escândalo pode ter um impacto mais perigoso no mundo do que a própria doença, causando pânico e drenando recursos que poderiam ser melhor utilizados para lidar com problemas do mundo real.

Usando a pesquisa reversa de imagens, você pode fazer várias miniaturas de qualquer vídeo e verificar se já foi publicado na Internet antes. O plugin de verificação de vídeo do InVid possui algumas ferramentas muito eficazes para verificar imagens e vídeos, e a seção “Classroom” está cheia de outros tutoriais e novidades. Portanto, antes de compartilhar aquele vídeo com seus grupos de bate-papo, verifique se você não está sendo enganado. 

Como verificar contas usando pegadas digitais

Atualmente, as redes sociais estão cheias de pessoas que afirmam poder oferecer aconselhamento médico confiável. Existem maneiras de verificar se alguém é quem afirma ser por meio de seu perfil nas redes sociais. Siga estas técnicas básicas de pegada digital e verificação de fontes on-line: 

Um exemplo e três regras simples a seguir

SOURCE: twitter.com

Vamos praticar verificando o perfil do Twitter de um profissional de saúde: Carole Henry. Carole tem tuitado sobre a Covid-19 e sua biografia diz que ela é uma “imunologista de células B”.

Mas como podemos ter certeza sobre suas credenciais? O perfil não fornece muitas informações: não possui a verificação azul “verificada”; não vincula a um site profissional ou acadêmico; ela só entrou no Twitter em janeiro de 2020; e ela só tem 10 tuítes.

Com um pouco de pesquisa, podemos descobrir muito sobre ela

Regra nº. 1: Realize pesquisa reversa de imagens na foto do perfil

As pesquisas reversas de imagens são poderosas porque fornecem muitas informações em questão de segundos. Recomendamos que você faça pesquisas reversas de imagens com a extensão de pesquisa reversa de imagens RevEye, que você pode baixar para o Google Chrome ou o Firefox.

Depois que o RevEye estiver instalado, clique na foto do perfil de Carole para aumentá-la. Em seguida, clique com o botão direito do mouse na imagem, encontre “Reverse Image Search” no menu e selecione “Google search”.

Uma nova guia deve aparecer no seu navegador. Se você rolar para o final, há uma seção útil intitulada “Páginas que incluem imagens correspondentes”. Analise essas fotos.

Um dos primeiros resultados parece ser um artigo da Faculdade de Medicina da Universidade de Chicago.

SOURCE: University of Chicago

Rolando para baixo, podemos ver a mesma foto de Carole, e uma citação que diz que ela é pós-doutorada na Universidade. Abaixo da foto, o nome dela está como “Carole Dunand”. Essa é uma informação interessante que podemos usar mais tarde.

FONTE: LinkedIn

Os resultados da pesquisa reversa de imagens também nos levam a um perfil do LinkedIn, que diz que ela é uma cientista da Universidade de Chicago com 10 anos de experiência como imunologista.

Regra nº. 2: Verifique fontes primárias

FONTE: Google.com

Lembre-se da regra de ouro do jornalismo: sempre verifique as fontes principais quando estiverem disponíveis. Nesse caso, se quisermos confirmar que Carole Henry é uma cientista da Universidade de Chicago, a fonte principal seria um diretório de funcionários da Universidade de Chicago. Uma rápida pesquisa no Google por “Carole Henry University of Chicago” leva a uma página do “Laboratório Wilson”. A página tem um endereço da Web da Universidade de Chicago e também cita Carole como membro da equipe.

Regra nº. 3: Encontre informações de contato

FONTE: http://profiles.catalyst.harvard.edu/

Pode ser improvável, mas sempre há uma chance de que o perfil original do Twitter que encontramos seja apenas alguém se fazendo passar por Carole Henry, da Universidade de Chicago. Para uma verificação realmente completa, procure informações de contato para poder chegar à fonte.

Lembre-se do outro nome que encontramos: “Carole Dunand”? Uma pesquisa por “Carole Dunand Universidade de Chicago” leva diretamente a outro diretório da equipe, desta vez com seu endereço de e-mail.

Aqui estão outras perguntas que ajudarão você a verificar contas:

  • Quando a conta foi criada? 
  • Você consegue encontrar essa pessoa on-line em qualquer outro lugar?
  • Quem mais essa pessoa segue?
  • Existem outras contas com o mesmo nome?
  • Você consegue encontra informações de contato?

Um estudo de caso de verificação

Aqui, vamos dar uma olhada em um estudo de caso envolvendo um vídeo publicado no Twitter que afirma mostrar um paciente italiano com coronavírus fugindo de um hospital. Nós descobrimos que o clipe não é tudo o que parece aplicando o nosso processo de verificação e os cinco pilares, da proveniência, fonte, data, local e motivação.

 

Reporte

Como entender o ponto de inflexão

Quando você vê informações enganosas e desinformação, seu primeiro impulso pode ser desmentir imediatamente, expor a falsidade, dizer ao público o que está acontecendo e explicar por que não é verdade. Porém, denunciar mesinformação pode ser complicado. A maneira como nosso cérebro funciona significa que somos muito ruins em lembrar o que é verdadeiro ou falso. Pesquisas experimentais mostram como é fácil para as pessoas ficarem sabendo que algo é falso, para afirmarem que é verdade quando perguntadas sobre isso posteriormente. Existem práticas recomendadas para escrever títulos e explicar que algo é falso, que exploraremos na próxima seção. Infelizmente, mesmo quando as denúncias são bem-intencionadas, podem colocar lenha na fogueira e trazer maior exposição ao conteúdo que, de outra forma, poderia ter desaparecido. Compreender o ponto de inflexão é crucial para saber quando desmentir. 

A trombeta da amplificação

A ilustração abaixo é um lembrete visual da maneira como o conteúdo falso pode se espalhar por diferentes plataformas sociais. Ele pode fazer o seu caminho a partir de quadros de mensagens anônimas como o 4Chan, através de canais de mensagens privadas no Telegram, WhatsApp e Twitter. Em seguida, pode se espalhar para comunidades de nichos em espaços como Reddit e YouTube, e depois para as plataformas de redes sociais mais populares. A partir daí, ele pode ser captado por jornalistas que fornecem oxigênio adicional, desmentindo ou denunciando informações falsas. 

Como a Alice Marwick e Rebecca Lewis observaram em seu relatório de 2017, Media Manipulation and Disinformation Online, para os “manipuladores, não importa se a mídia está denunciando uma história para desmenti-la ou descartá-la; o importante é ter a história publicada.”

A professor da Universidade de Syracuse, Whitney Phillips, também escreveu sobre como cobrir informações problemáticas on-line. Seu relatório da Data & Society de 2018, The Oxygen of Amplification: Better Practices for Reporting on Extremists, Antagonists, and Manipulators Online explica: 

“É bastante problemático quando os cidadãos comuns ajudam a espalhar informações falsas, maliciosas ou manipuladoras pelas redes sociais. É infinitamente mais problemático quando jornalistas, cujo trabalho pode chegar a milhões, fazem o mesmo.” 

O ponto de inflexão

Em todos os cenários, não há uma maneira perfeita de fazer as coisas. O simples ato de denunciar sempre traz o risco de amplificação e as salas de imprensa precisam equilibrar o interesse público na matéria com as possíveis consequências da cobertura.jenni sar 

Nosso trabalho sugere que há um ponto de inflexão quando se trata de cobrir desinformação. 

Denunciar muito cedo…

Denunciar muito tarde…

pode impulsionar rumores ou conteúdo enganoso que, de outra forma, poderia desaparecer. significa que a falsidade se sustenta e não pode ser detida, torna-se um “boato de zumbi”, que simplesmente não morre.

Algumas coisas importantes a serem lembradas sobre os pontos de inflexão:

  • Não existe um único ponto de inflexão – O ponto de inflexão pode ser medido quando o conteúdo sai de uma comunidade de nicho e começa a se espalhar rapidamente em uma plataforma ou passa para outra. Quanto mais tempo você gasta monitorando a desinformação, mais claro fica o ponto de inflexão, que é outro motivo para as salas de imprensa levarem a desinformação a sério. 
  • Considere a propagação – Este é o número de pessoas que viram ou interagiram com o conteúdo. Pode ser difícil quantificar com os dados disponíveis, que geralmente são apenas compartilhamentos, curtidas, retuítes, visualizações ou comentários. Mas é importante tentar. Mesmo comunidades pequenas ou de nicho podem parecer mais significativas on-line. Se um conteúdo tiver um envolvimento muito baixo, pode não valer a pena verificar ou escrever sobre ele. 
  • A colaboração é fundamental – Descobrir o ponto de inflexão pode ser difícil, portanto pode ser uma chance de colaboração informal. Diferentes salas de imprensa podem comparar preocupações sobre as decisões de cobertura. Com frequência, os jornalistas denunciam rumores por temerem que sejam “furados” pelos concorrentes, o que é exatamente o que os agentes de desinformação desejam.

Algumas perguntas úteis para ajudar a determinar o ponto de inflexão:

  1. Quanto engajamento o conteúdo está recebendo?
  2. O conteúdo está passando de uma comunidade para outra?
  3. O conteúdo está se movendo entre plataformas? 
  4. Um influenciador compartilhou?
  5. Outros jornalistas e meios de comunicação estão escrevendo sobre isso?

    Determinar o ponto de inflexão não é uma ciência exata, mas o ponto-chave é parar e considerar o exposto acima para desmentir ou expor uma história. 

A importância das manchetes

As manchetes são incrivelmente importantes, pois geralmente são o único texto do artigo que os leitores veem. Em um estudo de 2016, cientistas da computação da Columbia University e do Microsoft Research-Inria Joint Center estimaram que 59% dos links mencionados no Twitter não são clicados, confirmando que as pessoas compartilham artigos sem lê-los primeiro. 

As salas de imprensa que denunciam desinformação devem elaborar manchetes com cuidado e precisão para evitar ampliar a falsidade, usar linguagem acusatória ou reduzir a confiança.

Aqui, compartilharemos algumas práticas recomendadas para escrever manchetes ao denunciar mesinformação, com base no Debunking Handbook, dos psicólogos John Cook e Stephan Lewandowsky e colegas.

Problema

Solução

Efeito de tiro pela culatra por familiaridade
Repetindo falsidades para corrigi-las, os desmentidos podem tornar as falsidades mais familiares e, portanto, mais propensas a serem aceitas como verdadeiras.
Concentre-se nos fatos
Evite repetir uma falsidade desnecessariamente enquanto a corrige. Sempre que possível, avise os leitores antes de repetir falsidades.
Efeito de tiro pela culatra por excesso
Quanto mais fácil for para processar uma informação, maior a probabilidade de ela ser aceita. Menos detalhes pode ser mais eficaz.
Simplifique
Torne seu conteúdo fácil de processar, mantendo-o simples, curto e fácil de ler.
Use gráficos para ilustrar seus pontos.
Efeito de tiro pela culatra por visão de mundo
As pessoas processam as informações de maneiras tendenciosas. Quando desmentidos ameaçam a visão de mundo de uma pessoa, as pessoas com visões mais fixas podem ficar mais tendenciosas.
Evite ridicularizar
Evite comentários ridicularizadores e depreciativos. Enquadre os desmentidos de maneiras menos ameaçadoras para a visão de mundo de uma pessoa.
Alternativas ausentes
Rotular algo como falso, mas não fornecer uma explicação, muitas vezes deixa as pessoas com dúvidas. Se a pessoa que faz o desmentido não responder a essas dúvidas, as pessoas continuarão confiando em informações ruins.
Forneça respostas
Responda a qualquer pergunta que um desmentido possa suscitar.

Como usar e compartilhar imagens com consciência

As imagens são extremamente poderosas e precisam ser usadas com atenção. É importante considerar cuidadosamente qualquer foto ou imagem, fornecer contexto e tentar evitar imagens que possam alimentar estereótipos. 

Também precisamos pensar com muito cuidado sobre o contexto, principalmente quando se trata de incorporar publicações de redes que mostram membros do público. Essa imagem pode ter sido destinada apenas a um pequeno número de pessoas e, quanto mais amplificada e compartilhada, mais o contexto original se perde. Mesmo imagens usadas por organizações de notícias confiáveis, cuidadosamente apresentadas no contexto, ainda podem ser capturadas, usadas fora do contexto e espalhadas por toda parte.

Incentivo à xenofobia

Antes de usar uma foto de uma pessoa asiática usando uma máscara facial, por exemplo, pergunte como essa imagem é relevante para a sua história. Os indivíduos da sua história são asiáticos? Sua história é sobre a eficácia das máscaras faciais na prevenção da propagação do vírus? A Associação de Jornalistas Asiáticos-Americanos publicou orientações úteis sobre como evitar a xenofobia e o racismo ao cobrir a Covid-19. 

Causando pânico

O mesmo vale para imagens que podem causar pânico indevido. Seu uso de uma imagem de pessoas vestindo trajes de proteção causaria alarme nos leitores? Usar a imagem de uma ambulância com um carrinho vazio esperando para entrar em uma casa criaria medo? É importante pensar no impacto das imagens em destaque quando surgem preocupações sobre o impacto do vírus.

Aqui estão algumas diretrizes a seguir: 

  • Evite imagens que possam aumentar o pânico e use imagens que reforcem o comportamento que queremos ver imitado
  • Evite imagens que se baseiam em estereótipos
  • Pense duas vezes antes de compartilhar publicações e imagens de redes sociais que possam impactar significativamente os envolvidos

Como preencher lacunas de dados

Michael Golebiewski e Danah Boyd, ambos conectados à Microsoft Research, cunharam o termo “lacuna de dados” para descrever consultas de pesquisa em que “os dados relevantes disponíveis são limitados, inexistentes ou profundamente problemáticos”. 

Em situações de notícias recentes, escrevem Golebiewski e Danah Boyd da Microsoft Research and Data & Society, os leitores encontram lacunas de dados quando “uma onda de novas pesquisas que não foram realizadas anteriormente aparece, à medida que as pessoas usam nomes, hashtags ou outras informações” para encontrar respostas. 

As salas de imprensa devem pensar nas perguntas sobre a Covid-19 ou nas palavras-chave que os leitores provavelmente estão procurando, ver quem está criando conteúdo em torno dessas perguntas e preencher as lacunas de dados com conteúdo de qualidade. 

Essa é a contrapartida de descobrir o que as pessoas estão pesquisando usando o Google Trends. Faça a engenharia reversa do processo: quando as pessoas digitam perguntas relacionadas ao coronavírus, o que encontram?

É importante descobrir que perguntas sobre a Covid-19 os leitores estão fazendo e preencher as lacunas de dados com o jornalismo de serviço. Por exemplo, segue abaixo uma captura de tela da página de resultados do Google para a consulta “posso pegar o coronavírus de embalagens”.

Os leitores que procurarem a resposta encontrarão algumas notícias sobre os gastos emergenciais com coronavírus do Senado dos EUA, o que presumivelmente não é o que elas estão procurando.

Como usar o Google Trends para encontrar as perguntas que estão sendo feitas

FONTE: trends.google.com

O Google Trends permite monitorar pesquisas públicas em todo o mundo e ver o tipo de informação e respostas que o público está procurando. 

O Google criou um painel de tendências dedicado mostrando informações e os dados sobre os termos de pesquisa relacionados ao coronavírus.  O que as pessoas digitam na barra de pesquisa do Google nos dá uma ideia de quais informações elas precisam, o que não está claro e quais perguntas precisam ser respondidas.

Recomendamos que você faça algumas pesquisas de comparação, pois isso lhe dá uma sensação de interesse. Por exemplo, compare a Kim Kardashian com o confinamento devido ao coronavírus. Aqui está uma imagem comparando esses dois tópicos de pesquisa nos últimos 12 meses nos EUA.

Também vale a pena saber que você pode pesquisar por país e, quando faz isso, mostra o interesse da pesquisa por região. Aqui está uma imagem dos padrões de pesquisa da Argélia comparando Kim Kardashian com ‘confinement’ (a palavra francesa para confinamento) nos últimos 7 dias. Você pode ver abaixo do primeiro gráfico um detalhamento por região no país.

Como cuidar do seu próprio bem-estar emocional

A pandemia de coronavírus é indutora de ansiedade para qualquer pessoa, e os repórteres não são exceção. Aqueles que precisam ler sobre o Covid-19 todos os dias para manter o público informado podem estar sentindo o peso da sobrecarga de informações.

A reportagem sobre a pandemia é um “golpe duplo” de pressão psicológica, disse Bruce Shapiro, diretor executivo do Dart Center for Journalism and Trauma. A natureza da história em si é traumática, com repórteres entrevistando famílias sobreviventes, fotografando vítimas e vendo dados angustiantes, e isso pode ter um impacto direto pessoalmente. “Essa combinação de fatores tornará a história estendida do Covid-19 um desafio para muitos jornalistas.”

Segundo Shapiro estudos sugerem que a “tribo resiliente”, que são os jornalistas, é melhor do que a maioria em lidar com trauma. Mas, mesmo na melhor das hipóteses, aqueles na indústria correm o risco de desenvolver problemas de saúde mental

Então, aqui vamos definir sete dicas para jornalistas que reportam sobre o surto de coronavírus, para ajudá-lo a cuidar de seu próprio bem-estar mental e emocional:

  1. Esteja ciente do estigma
  2. Trabalho e vida separados
  3. Atenha-se à orientação oficial
  4. Verifique regularmente como estão seu colegas
  5. Crie um plano de autocuidado
  6. Conheça seus gatilhos e peça ajuda
  7. Seja gentil consigo mesmo

Esteja ciente do estigma

O trauma indireto é comum entre os jornalistas que cobrem tragédias, e os casos de estresse pós-traumático são mais altos entre os jornalistas do que a população em geral. Níveis persistentemente altos de estresse corroem a resiliência e o desempenho e podem levar à exaustão. Mas permanece um estigma em torno de falar sobre saúde mental. 

“[O jornalismo] fica atrás de outros mundos profissionais na discussão sobre questões de saúde mental”, disse Philip Eil, jornalista freelancer baseado em Providence, Rhode Island, que escreve extensivamente sobre jornalismo e saúde mental.

A comunicação exige bravura, mas não bravura. Com demasiada frequência, os jornalistas fingem que podem levar a morte e a destruição à sua maneira. Isso criou uma relutância em discutir saúde mental e emoção no setor.

“[Cuidar-se] é ser um bom jornalista” – Philip Eil, jornalista freelancer e defensor da saúde mental

“Há tanta coisa no jornalismo em si que levaria uma pessoa saudável e a deixaria estressada, ansiosa ou deprimida”, disse Eil, que já experimentou ansiedade, depressão e esgotamento no trabalho. “E tudo bem.”

Ele aconselha os jornalistas que os problemas de saúde mental não são ilustrativos da competência profissional. “Saiba que esse trabalho provavelmente terá um efeito em você e não se preocupe com isso”, disse Eil. “Não aceite o estigma tóxico e perigoso que é difundido no mundo e na profissão.”

Trabalho e vida separados

Especialistas estão aconselhando as pessoas que lutam com ansiedade neste momento dos testes a se desconectarem das notícias. Isso pode ser quase impossível para os jornalistas, mas é possível traçar uma linha mais clara entre trabalho e vida doméstica. 

“Quando você está com seus amigos ou familiares, determine períodos em que as conversas sobre trabalho não são permitidas ou durante os quais você proíbe qualquer conversa sobre o vírus”, disse Rachel Blundy, editora sênior da AFP Fact Check, com sede em Hong Kong. Sua equipe tem estado na vanguarda da mesinformação sobre o coronavírus, mas ela tenta “discutir continuamente” com eles como evitar ser drenada pela cobertura.

“Quero que todos sintam que podem desligar quando não estão trabalhando” – Rachel Blundy, Editora Sênior, AFP Fact Check

“Noites e finais de semana são realmente nossos”, disse ela ao First Draft. “Agora, usamos o Slack apenas para discussões de trabalho, onde anteriormente usávamos o WhatsApp. Isso ajudou a criar uma linha mais clara entre trabalho e tempo social. Quero que todos sintam que podem desligar quando não estão no trabalho”.

Limite o conteúdo que você vê fora do horário de trabalho. Se você precisa ter alertas de última hora no seu dispositivo móvel, escolha apenas uma tomada para recebê-los, e não uma dúzia.

Cancele a inscrição em boletins informativos que usam assuntos alarmistas ou o enchem de ansiedade quando chegam à sua caixa de entrada.

Eil acredita que desconectar-se do trabalho em seu tempo pessoal para cuidar de si mesmo é “parte de ser o melhor jornalista que você pode ser”. “Os jornalistas querem ficar atualizados em seu ritmo, mas para ser um jornalista de primeira linha, você precisa cuidar da sua mente e do seu corpo, caso contrário, vai falhar,” disse ao First Draft. “Este é um investimento em si mesmo como jornalista.”

Atenha-se à orientação oficial

As pessoas que já apresentam problemas de saúde mental são especialmente vulneráveis durante emergências. O foco global no vírus provavelmente está afetando bastante os repórteres já propensos à ansiedade, incluindo ansiedade de saúde ou contaminação, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ou estresse relacionado ao trabalho.

Desde lavar as mãos até desinfetar as superfícies e não tocar seu rosto, as diretrizes oficiais podem parecer semelhantes aos pensamentos do TOC. É importante seguir conselhos oficiais para proteger você e outras pessoas contra o vírus, mas também saber que não é necessário ir além das práticas recomendadas. 

Conheça os fatos principais sem pensar demais nos sintomas ou nas precauções, recomendou Eil: “Você quer estar preparado e vigilante, mas deseja manter a sanidade”.

O Comitê para Proteger Jornalistas tem diretrizes para que repórteres no local se mantenham a salvo do coronavírus, que recomendamos revisar.

Verifique regularmente como estão seus colegas.

À medida que mais países incentivam o distanciamento social, mais redações estão adotando o trabalho remoto. Mas isso significa que os jornalistas correm mais risco de isolamento enquanto trabalham mais do que nunca em uma história em ritmo acelerado. 

“O isolamento social é um dos fatores de risco para problemas fisiológicos, e a conexão social e o apoio colegial são um dos fatores mais importantes para a resiliência”, disse Shapiro ao First Draft, citando pesquisas sobre jornalistas que cobrem traumas.

Um dos melhores recursos que os jornalistas têm atualmente é um ao outro, disse Eil. “Para muitos de nós que temos amigos, cônjuges que não estão no jornalismo e que não entendem o tipo específico de estresse que enfrentamos, pode ser extremamente terapêutico conversar com colegas que saibam o que estamos fazendo”.

Converse com os colegas quando puder e conte a eles se estiver estressado. Tente conversar sobre algo não relacionado ou pergunte a outras pessoas como elas estão se sentindo. Para freelancers ou outros jornalistas sem uma rede de colegas, Eil disse que está disposto a discutir os problemas com qualquer pessoa que o contate.

Crie um plano de autocuidado

Para proteger seu bem-estar mental em momentos difíceis, é vital ter um plano de autocuidado. Começa com os pontos vitais: durma o suficiente, fique offline antes de dormir, coma bem e faça exercícios. 

Fora do trabalho, faça o que puder para pensar em outra coisa. Desligue o telefone, adquira um hobby, leia um livro, assista à televisão, medite, escreva um diário, tome um banho ou socialize, mesmo que seja apenas através de videochamadas.

“Mesmo que você não esteja cobrido sobre o coronavírus… todo jornalista precisa de um plano de autocuidado para passar por esse período”, disse Shapiro, do Dart Center. “Precisamos cobrir nossas bases de autocuidado para fazer bem o trabalho.”

Você precisa priorizar o autocuidado, acrescentou Eil. “Os jornalistas estão sem tempo o suficiente, mas coloque medidas concretas para cuidar de você na sua lista de tarefas e tente torná-la parte não negociável da sua agenda”.

Embora seja difícil o assunto dominar a maioria das conversas, evite conversas excessivas sobre a crise com familiares e amigos, se puder. Se estiver ansioso, ignore o grupo do WhatsApp.

“Todo jornalista precisa de um plano de autocuidado para atravessar esse período” – Bruce Shapiro, Diretor Executivo, Dart Center for Journalism and Trauma

Enquanto trabalha, Shapiro recomenda desmembrar histórias em problemas de reportagem em uma passo de cada vez, para não se sentir sobrecarregado. Blundy também sugere que os jornalistas aproveitem o tempo ocioso durante o dia para ler sobre outras coisas. “Em Hong Kong, fazemos intervalos regulares e tentamos garantir que não estamos fazendo muitas horas extras”, disse ela. Tenha uma hora completa no almoço para fazer algo não relacionado ao trabalho, se possível.

Embora seja mais difícil para muitos jornalistas, é recomendável gastar menos tempo no Twitter. “Isso pode ser inútil e fará com que você sinta que está constantemente trabalhando, mesmo quando não deveria”, disse Blundy.

1.@matthaig1‘s “Notes on a Nervous Planet.” https://t.co/p5XICY6IB4

— Philip Eil (@phileil) março 11, 2020

Um conselho final é ter um marcador para quando a jornada de trabalho terminar: molhe seu rosto com água, pegue um instrumento, faça uma caminhada ou corra, escreva um resumo do seu dia, qualquer coisa que você possa fazer para formalizar que está mentalmente fora. “Precisamos de marcadores claros que digam que o horário de trabalho acabou”, disse Shapiro.

Conheça seus gatilhos e peça ajuda

Shapiro disse”Todos os jornalistas devem refletir sobre suas próprias causas e sinais de estresse”. Pense ou anote os hábitos que você adota quando está estressado ou ansioso; portanto, se começar a escorregar, poderá revisar seu plano de autocuidado, conversar com alguém próximo ou procurar ajuda profissional. 

“Se tivermos problemas como TOC, ansiedade, transtorno bipolar ou qualquer outra coisa, podemos precisar de algumas defesas e fontes adicionais de ajuda para nos proteger”, acrescentou Shapiro. “Se você é alguém para quem a terapia foi útil, agora é uma boa hora para conversar com alguém.”

Com a pandemia de coronavírus provavelmente continuando por meses, Eil também recomenda terapia. “Como está envolto em estigma, as pessoas pensam que é para pessoas fracas ou com problemas mentais. Mas é realmente ser o melhor eu e jornalista que você pode ser. ” Ele acrescentou: “Jornalistas são esses atletas de alto desempenho. Para eles, não ter terapeutas é como ter uma equipe esportiva profissional sem treinador à margem. ”

Muitos locais de trabalho têm serviços de aconselhamento para funcionários, mas se você não tiver essa opção, poderá perguntar ao seu médico ou ver qual ajuda on-line está disponível localmente. 

Seja gentil consigo mesmo

Por fim, é importante observar que esses são tempos sem precedentes e nem sempre as regras e as normas de ouro se aplicam. Portanto, seja gentil consigo mesmo e seja realista sobre o que você pode fazer. 

Eil disse: “Os jornalistas tendem a ser perfeccionistas, ambiciosos, viciados em trabalho”. “Mas é importante que os jornalistas tenham autocompaixão. Nestes tempos extraordinariamente estressantes e assustadores, tudo bem se sentir assustado ou estressado, que é uma reação perfeitamente normal a uma crise realmente sem precedentes. Vá com calma, porque estes são tempos realmente difíceis. “

Portanto, fica claro que os jornalistas precisarão cuidar da sua saúde mental para informar sobre a crise do coronavírus. Seguir as orientações acima lhe dará a melhor oportunidade para proteger seu bem-estar emocional, para que você possa se concentrar em fornecer as informações necessárias ao público.

Em conclusão

Enquanto trabalhamos juntos para combater a confusão das informações sobre o coronavírus, fica claro que separar fatos de informações enganosas ou incorretas será mais difícil do que nunca. Esperamos que este guia tenha lhe proporcionado uma melhor compreensão da infodemia e tenha fornecido algumas ferramentas e técnicas para ajudá-lo a monitorar e verificar informações on-line.

Também esperamos que você esteja melhor equipado para cuidar de si mesmo e proteger seu próprio bem-estar mental e emocional neste momento sem precedentes. Por fim, como repórteres, pesquisadores e jornalistas, esperamos que este curso o ajude a fornecer informações confiáveis ao seu público, no momento em que mais precisam. 

Continue a seguir o firstdraftnews.orgpara as últimas notícias e informações. Particularmente a nossa seção Recursos para Jornalistas com postagem frequente de novas ferramentas, guias, conselhos, perguntas frequentes, seminários on-line e outros materiais, para ajudá-lo a formar uma opinião fundamentada e a produzir uma cobertura verossímil durante o Covid-19.

Se ainda não o fez, você pode ficar em contato com o nosso serviço de newsletter diário e semanal e também no Twitter, Instagram e Facebook

Glossário

Uma lista de palavras em evolução para falar sobre desinformação

Um erro que muitos de nós cometemos é que, porque usamos o Facebook e o Twitter, é fácil entender e noticiar nas plataformas. Esperamos que este glossário demonstre as complexidades desse espaço, especialmente em um contexto global. 

O glossário inclui 62 palavras e você pode usar CMD + F (Control Find) para pesquisar no conteúdo ou simplesmente rolar para baixo.


4chan

Um fórum de discussões anônimas criado em 2003 que Christopher Poole, também conhecido no mundo on-line como “moot”, que o modelou de acordo com fóruns e imageboards japoneses. Desde então, o fórum de discussão por tópicos passou a incluir tópicos inócuos aleatórios, além de pornografia, racismo, sexismo, masculinidade tóxica e coordenação de campanhas de desinformação. O 4chan é reconhecido por ter alimentado o interesse e o compartilhamento de memes e se vê como um defensor do discurso livre e anônimo. Poole começou a trabalhar para o Google em 2016. Aqui está sua TED talk de 2010 onde ele explica a fundação da plataforma e por que é um lugar importante para a liberdade de expressão. 


Amplificação

Quando um conteúdo é compartilhado em grandes números nas redes sociais, ou quando a mídia convencional dá atenção ou oxigênio a um boato ou conspiração periférica. O conteúdo pode ser amplificado organicamente, através de esforços coordenados de comunidades motivadas e/ou robôs, ou de anúncios pagos ou “impulsos” nas plataformas sociais. Rory Smith e Carlotta Dotto do First Draft escreveram uma explicação sobre a ciência e a terminologia dos robôs. 


Amplificação e mecanismos de busca

Às vezes, o objetivo de maus atores on-line é criar e espalhar campanhas de conspiração. Eles recorrem, inadvertidamente, para mecanismos de busca de jogos, incluindo palavras e frases tiradas de determinados fóruns e tentam criar e impulsionar tendências e fornecer a máxima exposição aos movimentos e ideologias periféricos e frequentemente tóxicos. Veja a seção de dicas para jornalismo do Data & Society’s “The Oxygen of Amplification”, O relatório completo é uma leitura obrigatória para qualquer jornalista em atividade.


Algorítmo

Os algoritmos nas plataformas sociais e de pesquisa estabelecem um mecanismo de classificação e filtragem do conteúdo que os usuários veem em um “feed de notícias” ou página de resultados de pesquisa. Os algoritmos são constantemente ajustados para aumentar o tempo que um usuário passa em uma plataforma. Como um algoritmo funciona é um dos componentes mais secretos das plataformas sociais e de pesquisa; não há transparência para pesquisadores, imprensa ou público. Os profissionais de marketing digital são bem versados em mudanças no algoritmo, e essas táticas – usando vídeos, “dark posts”, pixels de rastreamento etc. – também se traduzem em campanhas de desinformação e maus atores.


Fóruns de discussão anônimos

Uma plataforma de discussão que não exige que as pessoas que postam revelem publicamente seu nome real em um identificador ou nome de usuário, como Reddit, 4chan, 8chan e Discord. O anonimato pode permitir discussões que sejam mais honestas, mas também podem se tornar tóxicas e, muitas vezes, sem repercussões para a pessoa que está postando. Recomendação para jornalismo: como no 4chan, se você optar por incluir capturas de tela, citações e links na plataforma, saiba que as matérias publicadas que incluem essas informações têm o potencial de estimular o recrutamento para a plataforma, ampliar as campanhas designadas para atacar repórteres e organizações de notícias ou semear ofensas e confusões e, inadvertidamente, criam termos e direcionam pesquisa para conteúdo problemático.


Analytics (às vezes chamado de “métricas”)

Números que são acumulados em todos os identificadores e postagens sociais e, às vezes, usados para analisar o “alcance” ou a extensão de quantas pessoas podem ter visto ou se engajado em um post. 


API

Uma API ou interface de programação de aplicativos ocorre quando dados de uma ferramenta ou aplicativo da Web podem ser trocados ou recebidos por outro. Muitos que trabalham para examinar a fonte e a disseminação de informações poluídas dependem do acesso às APIs da plataforma social, mas nem todas são criadas da mesma forma e a extensão dos dados publicamente disponíveis varia de plataforma para plataforma. Muitos que trabalham para examinar a fonte e a disseminação de informações poluídas dependem do acesso às APIs da plataforma social, mas nem todas são criadas da mesma forma e a extensão dos dados publicamente disponíveis varia de plataforma para plataforma. 


Inteligência Artificial (“IA”)

Programas de computador que são “treinados” para resolver problemas. Esses programas “aprendem” com os dados analisados, adaptando métodos e respostas de maneira a maximizar a precisão. À medida que a desinformação cresce em seu escopo e sofisticação, alguns veem a IA como uma maneira de detectar e moderar efetivamente o conteúdo, como o chatbot Fátima da organização Aos Fatos, que responde a perguntas do público com verificações de fatos via Facebook Messenger. A IA também pode contribuir para o problema de coisas como “deepfakes” e permitir campanhas de desinformação que podem ser direcionadas e personalizadas com muito mais eficiência.² Recomendação jornalística : o WITNESS, que indicou o caminho para o entendimento e preparação para a “mídia sintética” e “deepfakes”. Veja também a reportagem de Sam Gregory do WITNESS e do First Draft “Mal-uses of AI-generated Synthetic Media and Deepfakes: Pragmatic Solutions Discovery Convening“.


Automação

O processo de desenvolver uma “máquina” para concluir uma tarefa com pouca ou nenhuma direção humana. A automação pega tarefas que seriam demoradas para a realização por humanos e as transforma em tarefas que são concluídas rapidamente. Por exemplo, é possível automatizar o processo de envio de um tuíte, para que um humano não precise clicar ativamente em “publicar”. Os processos de automação são a espinha dorsal das técnicas usadas para efetivamente a fabricação a amplificação da desinformação. Rory Smith e Carlotta Dotto do First Draft escreveram uma explicação sobre a ciência e a terminologia dos robôs. 


Consultas lógicas

Uma combinação de operadores de pesquisa como “AND”, “OR” e “-” que filtram os resultados da pesquisa em um mecanismo de pesquisa, site ou plataforma social. Consultas lógicas podem ser úteis para tópicos que você segue diariamente e durante os plantões de notícias. 


Robôs

Contas de redes sociais que são operadas inteiramente por programas de computador e são projetadas para gerar postagens e/ou interagir com o conteúdo de uma plataforma específica. Nas campanhas de desinformação, os robôs podem ser usados para chamar a atenção para narrativas enganosas, para sequestrar listas de tendências das plataformas e para criar a ilusão de discussão e suporte público. Pesquisadores e tecnólogos adotam abordagens diferentes para identificar robôs, usando algoritmos ou regras mais simples um número de postagens por dia. Rory Smith e Carlotta Dotto do First Draft escreveram uma explicação sobre a ciência e a terminologia dos robôs. 


Botnet

Uma coleção ou rede de robôs que atuam de forma coordenada e normalmente são operados por uma pessoa ou grupo. As botnets comerciais podem incluir dezenas de milhares de robôs.


Comentários

Comentários adicionados a uma postagem social que são incluídos nos números de “engajamento” na análise. Recomendação jornalística: ao analisar tópicos polarizadores relacionados ao seu assunto, geralmente são nos comentários que você encontrará outras pessoas para seguir e a terminologia que podem informar suas consultas lógicas e outras pesquisas on-line.


Teorias da conspiração

 A BBC lista três ingredientes para o porquê e como uma teoria da conspiração ocorre:

  1. Conspirador: um grupo como as “grande farmacêuticas”, os maçons, crânios e ossos, um grupo religioso. Definir um inimigo e aceitar que o inimigo sempre será obscuro e secreto.
  2. O plano maligno: mesmo que você destrua o conspirador, o plano maligno continuará com o objetivo de dominar o mundo.
  3. Manipulação em massa: pensando nas estratégias e no poder que os conspiradores têm para manter ocultos seus planos sinistros ou identidades

Com o coronavírus, estamos vendo conspirações ligadas à origem do vírus, por exemplo, que é uma arma biológica criada pelos chineses ou o vírus foi criado em laboratório por Bill Gates.


Ciborgue

Uma combinação de táticas artificiais e humanas, geralmente envolvendo algum tipo de automação, para ampliar a atividade online. Recomendação jornalística: esse é um método relativamente novo por maus atores para dar a aparência pública de atividade autêntica para uma conta social. É importante distinguir nas suas reportagens se a atividade on-line parece ser um ciborgue, um sockpuppet, um robô ou um humano. Nem todo relato prolífico é um robô, mas confundir um robô com um ciborgue é impreciso e pode trazer dúvidas e críticas às suas reportagens.


Anúncios micro-localizados

Anúncios que são visíveis apenas para o editor e seu público-alvo. Por exemplo, o Facebook permite que os anunciantes criem postagens para alcançar usuários específicos com base em seu perfil demográfico, “curtidas” da página e seus interesses listados, mas que não são visíveis publicamente. Esses tipos de postagens direcionadas custam dinheiro e, portanto, são consideradas uma forma de publicidade. Como essas postagens são vistas apenas por um segmento da audiência, são difíceis de monitorar ou rastrear.


Deepfakes

Mídia fabricada produzida com o uso da inteligência artificial. Ao sintetizar diferentes elementos dos arquivos de vídeo ou áudio existentes, a IA permite métodos relativamente fáceis para criar ‘novos’ conteúdos, nos quais os indivíduos parecem falar palavras e executar ações, que não são baseadas na realidade. Embora ainda na sua infância, é provável que vejamos exemplos desse tipo de mídia sintética utilizada com mais frequência em campanhas de desinformação, à medida que essas técnicas se tornam mais sofisticadas. Recomendação jornalística : o WITNESS que indicou o caminho para o entendimento e preparação para a  “mídia sintética” e “deepfakes”. Veja também a reportagem de Sam Gregory do WITNESS e do First Draft “Mal-uses of AI-generated Synthetic Media and Deepfakes: Pragmatic Solutions Discovery Convening“.


Desplataformar

Remover uma conta de uma plataforma como Twitter, Facebook, YouTube, etc. O objetivo é remover uma pessoa de uma plataforma social para reduzir seu alcance. Casey Newton escreve que agora existe “evidência de que forçar a mudança de figuras de ódio e seus sites para a contínua mudança é eficaz para diminuir seu alcance ao longo do tempo”. 


Discord

Um aplicativo iniciado em 2015, projetado principalmente para a conexão da comunidade gamer por meio de conversas realizadas em “servidores”. Recomendação jornalística: Muitos servidores precisam de permissão de acesso e fazem uma série de perguntas antes de permitir que novos membros entrem na comunidade. Como jornalista, você precisa determinar como se sente mais confortável para responder às perguntas – você responderá com sinceridade e correr o risco de não ser admitido, ou pior ainda, ter suas informações privadas expostas? Ou você será vago e, portanto, não se representará como faria pessoalmente? Sua sala de imprensa também precisa estabelecer o que é e o que não é permitido quando os repórteres incluem informações publicadas por personalidades anônimas on-line. As informações são usadas apenas para informações detalhadas, você vinculará diretamente as informações, identificadores de nomes? Lembre-se de que esses espaços podem ser incrivelmente tóxicos e que as comunidades são conhecidas por ameaçar e assediar pessoas na vida real.


Descoberta

Métodos usados por meio de uma combinação de ferramentas e cadeias de busca para encontrar conteúdo problemático on-line que pode informar e até direcionar notícias. 


Campanha de desinformação

Um esforço coordenado de um único ator ou grupo de atores, organizações ou governos para fomentar ódio, raiva e dúvida sobre uma pessoa, sistemas e instituições. Os maus atores costumam usar técnicas de marketing conhecidas de marketing e para as plataformas, pois são criadas para fornecer informações tóxicas e confusas, principalmente em torno de eventos críticos como eleições democráticas. O objetivo final é trabalhar as mensagens na grande mídia. 


Conta inativa

Uma conta de rede social que não postou ou se envolveu com outras contas por um longo período de tempo. No contexto da desinformação, essa descrição é usada para contas que podem ser operadas por humanos ou por um robô que permanecem inativas até serem ‘programadas’ ou instruídas para executar outra tarefa.¹ Às vezes, as contas inativas são sequestradas por maus atores e programadas para envie mensagens coordenadas.


Doxing ou doxxing

O ato de publicar informações privadas ou de identificação de um indivíduo on-line, sem a sua permissão. Essas informações podem incluir nomes completos, endereços, números de telefone, fotos e muito mais.¹¹ Doxing é um exemplo de malinformação, que é uma informação precisa compartilhada publicamente para causar danos.


Desinformação

Informações falsas que são deliberadamente criadas ou disseminadas com o objetivo expresso de causar danos. Produtores de desinformação geralmente têm motivações políticas, financeiras, psicológicas ou sociais.¹²


Criptografia

O processo de codificação de dados para que eles possam ser interpretados apenas pelos destinatários pretendidos. Muitos serviços populares de mensagens como Signal, Telegram e WhatsApp criptografam os textos, fotos e vídeos enviados entre os usuários. A criptografia impede que os governos e outros lurkers leiam o conteúdo das mensagens interceptadas. A criptografia também impede que pesquisadores e jornalistas tentem monitorar informações enganosas ou desinformações compartilhadas na plataforma. À medida que mais maus atores são desligados das plataformas e as mensagens se tornam mais voláteis e coordenadas, essas conversas serão realizadas em aplicativos fechados de mensagens em que a aplicação da lei, o público e os pesquisadores e jornalistas que estão tentando entender as motivações e as mensagens desses grupos não mais poderão acessar.


Engajamento

Números em plataformas, como Facebook e Twitter, que mostram publicamente o número de curtidas, comentários e compartilhamentos. As organizações de marketing usam serviços como Parse.ly, CrowdTangle, NewsWhip etc. para medir o interesse em uma marca, e as salas de imprensa começaram a usar essas ferramentas para entender o interesse e as tendências do público, e agora alguns jornalistas usam essas mesmas ferramentas para ver onde mensagens tóxicas e maus atores podem chegar a um ponto de inflexão para noticiar um tópico ou desenvolver uma história. Veja também: “Trumpet of Amplification” de Claire Wardle para pensar sobre um “ponto de inflexão” que é quando pessoas suficientes viram um tópico ou termo para que a reportagem sobre ele ajude o público a entender, em vez de acelerar o alcance de um tópico ou termo, informando-o prematuramente.


Pesquisa de Gráficos do Facebook

Uma funcionalidade que funcionou por seis anos, de 2014 até junho de 2019, no Facebook, permitindo que pessoas e pesquisadores on-line pudessem procurar outras pessoas na plataforma e filtrar por critérios como check-ins, serem marcadas em fotos, curtidas etc. Outras ferramentas foram desenvolvidas com base na tecnologia e deixaram as investigações on-line em apuros. O debate ético começou com os pesquisadores dos direitos-humos dizendo que a tecnologia era uma violação da privacidade, e pesquisadores e jornalistas on-line ficaram perplexos com a maneira de divulgar a mesma informação. Houve um clamor semelhante entre jornalistas e a comunidade OSINT quando o Panoramio, de propriedade do Google, foi fechado em novembro de 2017.


Transparência de Anúncios no Facebook

O esforço do Facebook em criar mais transparência sobre quais anúncios estão circulando na plataforma e para quem. Agora você pode pesquisar seu banco de dados de publicidade globalmente para anúncios sobre questões sociais, eleições ou política. O banco de dados pode ser útil para rastrear como candidatos, partidos e apoiadores usam o Facebook para direcionar os eleitores de forma micro e para testar estratégias de mensagens.


Seguidores falsos

 Contas anônimas ou impostoras de redes sociais criadas para retratar impressões falsas de popularidade sobre outra conta. Os usuários de redes sociais podem pagar por seguidores falsos, bem como curtidas, visualizações e compartilhamentos falsos para dar a aparência de um público maior. Por exemplo, um serviço baseado na Inglaterra oferece aos usuários do YouTube um milhão de visualizações de “alta qualidade” e 50.000 curtidas por US$ 3,150.¹ O número de seguidores pode criar um cache para um perfil ou dar a impressão de que é uma conta real.


Desordem informacional

Uma frase criada por Claire Wardle e Hossein Derakshan para contextualizar os três tipos de conteúdo problemático on-line: 

  • Informação enganosa é quando informações falsas são compartilhadas, mas nenhum dano é causado. 
  • Desinformação é quando informações falsas são conscientemente compartilhadas para causar danos. 
  • Malinformação é quando informações genuínas são compartilhadas para causar danos, geralmente transferindo informações privadas para a esfera pública.

LinkedIn

Uma das poucas plataformas americanas permitidas na China, o LinkedIn pode ser um bom ponto de partida para a pegada digital de uma fonte on-line. Bellingcat publicou uma ficha técnica de dicas úteis e sobre como tirar o máximo proveito desta plataforma


Malinformação

Informações genuínas compartilhadas para causar danos. Isso inclui informações particulares ou reveladoras que são disseminadas para prejudicar uma pessoa ou reputação.


Amplificação fabricada

Quando o alcance ou a disseminação de informações é impulsionado por meios artificiais. Isso inclui a manipulação humana e automatizada dos resultados e listas de tendências dos mecanismos de pesquisa e a promoção de determinados links ou hashtags nas redes sociais.¹ Existem listas de preços on-line para diferentes tipos de amplificação, incluindo preços para gerar votos e assinaturas falsas em pesquisas e petições on-line e o custo de rebaixar conteúdo específico dos resultados dos mecanismos de pesquisa.¹


Meme

Cunhada pelo biólogo Richard Dawkins em 1976, é uma ideia ou comportamento que se espalha de pessoa para pessoa por uma cultura, propagando-se rapidamente e mudando ao longo do tempo.¹ O termo agora é usado com mais frequência para descrever fotos ou GIFs legendados, incubados no 4chan e que já se espalharam on-line.  Tome nota: os memes são veículos poderosos de desinformação e geralmente têm mais engajamento do que os artigos de notícias sobre o mesmo tópico em uma grande mídia.


Microtargeting

A capacidade de identificar um segmento muito restrito da população, neste caso em uma plataforma social, e enviar mensagens específicas para esse grupo. Um dos maiores problemas identificados nas informações trocadas on-line durante as eleições presidenciais de 2016 nos EUA foi a capacidade de campanhas políticas e agentes de desinformação colocarem questões divisórias nos feeds dos usuários do Facebook. Desde então, o Facebook removeu algumas das seleções de categoria na área de campanha publicitária do site, como “política”. Mais sobre microtargeting e “microtargeting psicográfico”. 


Informação enganosa

Informação que é falsa, mas não destinada a causar danos. Por exemplo, indivíduos que não sabem que uma informação é falsa podem divulgá-la nas mídias sociais, na tentativa de ajudar.²


Normie

Gíria on-line que significa que uma pessoa que consome notícias das principais mídias, plataformas on-line e segue a opinião popular. Não é um elogio.


OSINT

Um acrônimo que significa inteligência de código aberto. Agentes de inteligência, pesquisadores e jornalistas investigam e analisam informações publicamente disponíveis para confirmar ou refutar afirmações feitas pelos governos, verificar a localização e hora do dia a partir de fotos e vídeos, entre muitas outras operações. As comunidades on-line do OSINT são incrivelmente úteis quando se trata de explorar e explicar novas ferramentas, como chegaram a uma conclusão sobre uma investigação e, muitas vezes, pedem ajuda para o trabalho de verificação de informações, como o Bellingcat fez para encontrar o paradeiro de um criminoso procurado na Holanda em março 2019. Em um dia no Twitter sessenta pessoas ajudaram nessa investigação.


Reddit

Um fórum de discussão por tópicos que começou em 2005 e requer registro para publicação. O Reddit é o quinto site mais popular nos EUA, com 330 milhões de usuários registrados, chamados “redditors”, que publicam em subreddits. O subreddit, “the_Donald”, foi um dos mais ativos e ácidos durante o ciclo eleitoral dos EUA e 2016 US.


Sátira

Escrita que usa artifícios literários, como o ridículo e a ironia, para criticar elementos da sociedade. A sátira pode se tornar desinformação se o público a interpretar como um fato.²² Existe uma tendência conhecida dos agentes de desinformação rotularem o conteúdo como sátira para impedir que seja sinalizado pelos fact-checkers. Algumas pessoas, quando apanhadas, se apegam ao rótulo de sátira, como fez um professor da Flórida que se descobriu ter um podcast racista.


Scraping

O processo de extração de dados de um site sem o uso de uma API. É frequentemente usado por pesquisadores e jornalistas computacionais para monitorar a informação enganosa e a desinformação, bem como diferentes plataformas sociais e fóruns. Normalmente, o scraping viola os termos de serviço de um site (ou seja, as regras com as quais os usuários concordam para usar uma plataforma). No entanto, pesquisadores e jornalistas geralmente justificam o scraping por causa da falta de outra opção ao tentar investigar e estudar o impacto dos algoritmos. Recomendação jornalística: as salas de imprensa precisam estabelecer o que será ou não aceitável quando se trata de informações que violam as regras do site em que as informações foram encontradas e/ou baixadas.


Sock puppet

Uma conta on-line que usa uma identidade falsa criada especificamente para enganar. Sock puppets são usados em plataformas sociais para aumentar o número de seguidores de outra conta e espalhar ou amplificar informações falsas para um público em massa.²³ O termo é considerado sinônimo do termo “robô”, no entanto, nem todos os sock puppets são robôs. O The Guardian explica um sock puppet como um personagem fictício criado para reforçar um ponto de vista e um troll como alguém que prefere não esconder sua identidade.


Shallow fakes

São manipulações de baixa qualidade para alterar a maneira como um vídeo é reproduzido. A conscientização sobre shallow fakes aumentou em abril e maio de 2019, quando um vídeo da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, que circulou on-line, teve sua velocidade diminuída para dar a ilusão de que ela estava bêbada enquanto falava em um evento recente. Atualmente, a manipulação shallow fake é mais preocupante do que as deep fakes, pois existem ferramentas gratuitas para alterar sutilmente e de forma rápida um vídeo. Recomendações jornalística: solicite a ajuda de um especialista em vídeo quando um vídeo for tendência e a pessoa em destaque parecer estar fora do personagem.


Shitposting

O ato de lançar uma grande quantidade de conteúdo, a maioria deles irônico, de baixa qualidade, com o objetivo de provocar uma reação emocional em espectadores menos experientes na Internet. O objetivo final é atrapalhar a discussão produtiva e distrair os leitores.


Spam

Comunicação on-line impessoal e não solicitada, geralmente usada para promover, anunciar ou enganar o público. Hoje, o spam é distribuído principalmente por e-mail, e os algoritmos detectam, filtram e bloqueiam o spam das caixas de entrada dos usuários. Tecnologias semelhantes às implementadas para conter o spam podem potencialmente ser usadas no contexto de desordem de informações, ou pelo menos oferecer algumas lições para aprender.


Snapchat

O aplicativo multimídia somente para celular que começou em 2011. O Snapchat teve seus recursos mais populares, como o stories, filtros, lentes e adesivos, imitados pelo Facebook e Instagram. O aplicativo tem 203 milhões de usuários ativos por dia, e estima que 90% das pessoas entre 13 e 24 anos e 75% das pessoas entre 13 e 34 anos nos EUA usam o aplicativo. Os snaps devem desaparecer, o que tornou o aplicativo popular, mas as capturas de tela são possíveis. Em 2017, o Snapchat introduziu o Snapmaps, no entanto, não há como entrar em contato com o proprietário da gravação, pois as informações do usuário não podem ser clicadas. Às vezes, o usuário tem seu nome real ou uma convenção de nomenclatura semelhante em outra plataforma. Também é difícil pesquisar por tag, a menos que você esteja usando uma ferramenta de descoberta social como o Spike da NewsWhip. Recomendação jornalística: os snapmaps podem ser mais úteis para confirmar a atividade em um evento de notícias de última hora, mas não necessariamente o uso das informações em uma matéria publicada. 


Mídias Sintéticas

Um termo genérico para a produção, manipulação e modificação artificial de dados e mídias por meios automatizados, especialmente pelo uso de algoritmos de inteligência artificial, como para enganar pessoas ou alterar um significado original.


Termos de serviço

As regras estabelecidas por empresas de todos os tipos para o que é permitido ou não em seu serviço. Plataformas como o Facebook e o Twitter têm termos de serviço longos e em constante mudança e são criticadas por implementar repercussões desiguais quando alguém quebra suas regras. Recomendação jornalística: as salas de imprensa precisam estabelecer o que aceitará e o que não aceitará quando se trata de informações extraídas de uma plataforma que quebra suas regras. 


TikTok

Lançado em 2017, como uma marca do aplicativo Music.ly pela empresa chinesa ByteDance, é uma plataforma de vídeo para aplicativos móveis. O Wired noticiou em agosto de 2019 que o TikTok está alimentando a epidemia de incitação ao ódio na Índia. Casey Newton faz um ótimo resumo do que está em jogo e o Facebook, usando o crescimento da popularidade do aplicativo como um “mercado lotado”, em um apelo aos legisladores para evitar a regulamentação. 


Troll

Usado para se referir a qualquer pessoa que assedia ou insulta outras pessoas on-line. Embora também tenha sido usado para descrever contas controladas por humanos realizando atividades semelhantes a robôs, muitos trolls preferem ser conhecidos e costumam usar seu nome real.


Trolar

O ato de postar deliberadamente conteúdo ofensivo ou incendiário em uma comunidade on-line com a intenção de provocar leitores ou perturbar a conversa. 


Fábrica de trolls

Um grupo de indivíduos envolvidos em trollagem ou promoção de narrativas em estilo robô, de maneira coordenada. Uma fábrica de trolls proeminente foi a Internet Research Agency da Rússia que espalhou conteúdo incendiário on-line na tentativa de interferir nas eleições presidenciais dos EUA.


Autenticação de dois fatores (2FA)

Uma segunda maneira de se identificar em um aplicativo ou ao fazer login em um site, sendo uma maneira mais segura de acessar seus logins. Geralmente, é associado ao seu número de telefone celular, onde você recebe um SMS com um código de segurança que você digita no prompt para ter acesso ao aplicativo ou site. Esta etapa pode ser irritante, mas também pode ser invadida devido a uma fragilidade em seus protocolos. Recomendação jornalística: proteja a si mesmo e as suas fontes configurando a autenticação de dois fatores em todos os aplicativos e sites (especialmente gerenciadores de senhas e sites financeiros) que oferecem esse serviço. Também é recomendável usar um gerenciador de senhas gratuito como o LastPass, senhas longas de 16 caracteres ou mais, uma VPN e navegação anônima ao visualizar informações tóxicas on-line no (Chromee Firefox).


Verificação

O processo de determinação da autenticidade das informações publicadas por fontes não oficiais on-line, principalmente pela mídia visual.² Surgiu como uma nova habilidade para jornalistas e ativistas de direitos humanos no final dos anos 2000, principalmente em resposta à necessidade de verificar imagens visuais durante o “Primavera Árabe.” A verificação de fatos analisa apenas os registros oficiais, não o conteúdo não oficial ou gerado por usuários, embora a fact-check e a verificação de fatos geralmente se sobreponham e provavelmente se misturem.


Viber

Iniciado em 2010 pela empresa japonesa Rakuten Inc., o Viber é um aplicativo de mensagens semelhante ao WhatsApp, associado a um número de telefone e também com acessibilidade na área de trabalho de um computador. O aplicativo adicionou criptografia ponto a ponto às conversas individuais e em grupo, nas quais todos os participantes tiveram o lançamento 6.0 ou superior. Para que a criptografia funcione, você precisa que todos atualizem seus aplicativos. O Viber possui 250 milhões de usuários em todo o mundo, comparado ao WhatsApp com 1,6 bilhões de usuários, e is é o mais popular na Europa Oriental, Rússia, Oriente Médio e alguns mercados asiáticos.


VPN ou rede privada virtual

Usada para criptografar os dados de um usuário e ocultar sua identidade e localização. Uma VPN dificulta as plataformas saberem onde alguém que envia desinformação ou compra de anúncios está localizado. Também é sensato usar uma VPN ao investigar espaços on-line onde campanhas de desinformação estão sendo produzidas.


WeChat

Iniciado em 2011 como um aplicativo de mensagens do tipo WhatsApp para comunicação fechada entre amigos e familiares na China, agora o aplicativo conta com a interação com os amigos no Moments (um recurso como a linha do tempo do Facebook), ler artigos enviados pelas Contas Públicas do WeChat (contas públicas, pessoais ou empresariais que publicam histórias), chamar um táxi, reservar ingressos de cinema e pagar contas com um único clique. O aplicativo, que tem 1 bilhão de usuários, também é considerado uma enorme operação de vigilância do governo chinês. Recomendação jornalística: o WeChat é popular entre os imigrantes chineses em todo o mundo. Portanto, se o seu foco de trabalho incluir imigração, é importante entender como o aplicativo funciona e como as informações são trocadas.


Questões Divisórias

São tópicos controversos com os quais as pessoas se importam e que provocam sentimentos fortes. A desinformação é projetada para desencadear uma forte resposta emocional, para que as pessoas a compartilhem – por ultraje, medo, humor, nojo, amor ou qualquer outro sentimento de toda a gama de emoções humanas. A alta volatilidade emocional desses tópicos os torna um alvo para os agentes de desinformação usá-los como uma maneira de levar as pessoas a compartilhar informações sem pensar duas vezes. Por exemplo, política, polícia, meio-ambiente, refugiados, imigração, corrupção, vacinas, direitos das mulheres, etc. 


WhatsApp

Com um número estimado de 1,6 bilhões de usuários, o WhatsApp é o aplicativo de mensagens mais popular, e a terceira plataforma social mais popular, após o Facebook (2,23 bilhões) e o YouTube (1,9 bilhões) de usuários mensais ativos. O WhatsApp foi lançado em 2009 e o Facebook adquiriu o aplicativo em fevereiro de 2014. Em 2016, acrescentou criptografia de ponta a ponta; no entanto, houve violações de dados até maio de 2019, o que deixou os usuários preocupados com a proteção da privacidade. O First Draft foi a primeira ONG a ter acesso ao API para a plataforma com o nosso projeto para a eleição no Brasil , Comprova. Mesmo com acesso especial, era difícil saber onde a desinformação começou e para onde ela poderia seguir. 


Zero-rating

As empresas de telecomunicação nos EUA e em grande parte do mundo ocidental têm telefone, texto e dados agrupados em um plano de custo relativamente baixo. Na América do Sul, África e região Ásia-Pacífico os usuários pagam por cada um desses recursos separadamente. As plataformas, mais significativamente o Facebook, negociaram o “zero-rating” com as operadoras de celular nessas regiões que permitem que as suas plataformas – Facebook, Facebook Messenger, Instagram e WhatsApp – sejam usadas fora do plano de dados. Esses aplicativos, quando negociados como “zero-rating”, são de uso gratuito. O maior problema desse plano para os usuários é que o Facebook é a Internet; o incentivo para permanecer “na plataforma” é alto. Muitas pessoas compartilham artigos completos de copiar e colar de sites de notícias no WhatsApp, e verificar essas informações fora da plataforma requer dados. 

Lista de Leitura e Recursos

Visão Gera

Monitoramento

Verificação

Reporting

Anotações do Curso

30 Covering Coronavirus - Handbook_V2GL

Obrigado!

Este curso foi elaborado por Claire Wardle, Laura Garcia e Paul Doyle. Foi idealizado por nossa Diretora Administrativa Jenni Sargent. 

Obrigado aos muitos membros da equipe do First Draft. O pessoal se adiantou para gravar locuções sob cobertores nos banheiros, trabalhar longas horas durante um fim de semana e/ou teve que atender a estas demandas relacionadas ao curso, além de outros trabalhos cruciais. Entre os colaboradores, estão Jacquelyn Mason, Anne Kruger, Akshata Rao, Alastair Reid, Jack Sargent, Diara J Townes, Shaydanay Urbanie Madelyn Webb. Também adaptamos o incrível trabalho anterior de Victoria Kwan, Lydia Morrishe Aimee Rinehart.

A pandemia é global e, por isso, disponibilizar este curso em vários idiomas sempre foi uma prioridade. Agradecemos à nossa incrível equipe de jornalistas multilíngues que ajudaram a revisar as traduções para vários idiomas, liderados por Emma Dobinson do First Draft: Pedro Noel (português do Brasil), Carlotta Dotto (italiano), Marie Bohner (francês), Laura Garcia (espanhol), Nadin Rabaa do GNL Berlim (alemão) e Raj Vardarajan do DataLEADS (hindi).

Também queremos agradecer à incrível equipe de design e direitos autorais, que nos ajudou a fazer este curso: Manny Dhanda, Jenny Fogarty e Matt Wright.

Como parceira fundadora, a Google News Initiative apoia o trabalho da First Draft globalmente. Agradecemos sinceramente a todos os nossos financiadores pelo apoio contínuo.

A versão original deste curso foi lançada em inglês em 2 de abril de 2020. Todosos exemplos do curso e ferramentas utilizadas foram pertinentes e disponibilizados nesta data. Esta versão em português foi traduzida pela Global Lingo e revisada quanto à precisão pelos membros da equipe do First Draft. A data de lançamento desta versão traduzida é junho de 2020.